EUA cancelam estudo sobre autismo por razões éticas

A quelação remove os metais pesados do corpo, e é usada no combate ao envenenamento por chumbo

AP,

17 de setembro de 2008 | 19h03

Uma agência do governo dos Estados Unidos  abandonou os planos para testar um tratamento polêmico para o autismo que foi classificado, pelos críticos, como um experimento antiético em crianças.   O Instituto Nacional de Saúde Mental disse, em nota emitida nesta quarta-feira, 17, que o estudo do tratamento - chamado quelação - foi abandonado. A agência decidiu que o dinheiro seria melhor utilizado no exame de outras terapias com potencial contra o autismo e anomalias semelhantes, diz a nota.   O estudo já estava provisoriamente suspenso por conta de dúvidas quanto à segurança, depois que um outro trabalho, publicado no ano passado, ligou a droga usada no tratamento a problemas mentais duradouros em ratos. Quelação remove os metais pesados do corpo, e é usada no combate ao envenenamento por chumbo. Seu uso contra o autismo baseia-se na teoria de que mercúrio usado em algumas vacinas causa a doença - uma idéia que nunca foi provada e que é rejeitada pela maioria dos cientistas.   Além disso, o mercúrio não é usado em vacinas infantis desde 2001, exceto em algumas doses contra a gripe.   Mas muitos pais de crianças autistas acreditam no tratamento, e o governo havia concordado em testá-lo.   Os pesquisadores haviam proposto recrutar 120 crianças autistas de 4 a 10 anos e dar a metade delas a droga da quelação e à outra metade, pílulas sem efeito. O teste de 12 semanas viria a medir os níveis de mercúrio no sangue e os sintomas de autismo antes e depois da intervenção.

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