EUA começam a treinar médicos em sensibilidade cultural

Guia de 'competência cultural' ensina a melhor maneira de lidar com pessoas de diferentes etnias

AP

08 de agosto de 2008 | 16h32

Quando um médico não olha um paciente asiático nos olhos, isso pode ser visto com um sinal de respeito. Por outro lado, fazer contato visual é altamente recomendável com pacientes negros, de acordo com a revista American Academy of Orthopaedic Surgeons,que publicou um guia de tratamento culturalmente compatível.  Alguns Estados nos Estados Unidos estão tentando garantir que os profissionais da saúde estejam qualificados com "competência cultural" para tratar as diferentes etnias no país.  O Estado do Novo México aprovou uma lei, no ano passado, pedindo que instituições de ensino superior providenciassem esse tipo de treinamento, embora o Estado ainda esteja considerando como ele será implementado.  New Jersey e a Califórnia estão entre os outros Estados que pretendem implantar medidas similares.  "Nós não esperamos que se vá saber tudo sobre cada uma das nacionalidades", disse William Flores, presidente da força-tarefa do Novo México responsável pelo desenvolvimento do currículo. "O ponto crítico é desenvolver uma sensibilidade e uma compreensão de que nem toda cultura responde aos médicos da mesma maneira, nem vê a medicina da mesma maneira." Elizabeth Szalay, professora de ortopedia pediátrica na Universidade do Novo México, disse que é importante para os médicos entender como os pacientes podem ser diferentes, mas os pacientes também precisam se abrir e falar sobre si mesmos.  Índios navajo geralmente relutam em oferecer essas informações, sem a presença de um agente social que os interprete, disse Linda Henderson. Eles vêem a saúde ocidental como estrangeira, e não fazem perguntas ao médico mesmo quando não entendem o que está sendo recomendado. É uma questão de respeito. "Do ponto de vista de nossa cultura, nós estamos ofendendo os médicos, porque eles são especialistas na área." A força-tarefa do Novo México está fazendo reuniões por todo estado para reunir dados sobre o que deveria ser incluído no treinamento e espera ter um currículo pronto até 2010, disse Flores.

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