Jovelle Tamayo / Washington Post
Jovelle Tamayo / Washington Post

EUA confirma segunda morte por coronavírus no Estado de Washington

Vítima era um idoso de 70 anos cuja condição médica já inspirava cuidados

Redação, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2020 | 00h18
Atualizado 01 de abril de 2020 | 14h47

As autoridades sanitárias dos Estados Unidos confirmaram neste domingo, 1, a segunda morte por coronavírus no País, a segunda no Estado de Washington. O Departamento de Saúde Pública informou que a vítima é um homem de 70 anos, que já apresentava uma condição médica que inspirava cuidados e era um paciente de risco.

O homem foi internado no hospital EvergreenHealth e morreu no sábado, 29. A vítima estava internada no lar de idosos, onde cerca de 50  pessoas, incluindo residentes e funcionários, foram testadas após mostrarem possíveis sintomas do COVID-19.

A primeira morte pelo novo coronavírus foi um homem de 50 anos, também em Washington, e que se tornou a primeira fatalidade nas Américas.

No total, há 13 casos confirmados de coronavírus no estado de Washington, cujo governador, Jay Inslee, declarou estado de emergência no sábado e onde 231 pessoas permanecem sob observação médica.

Também nesse domingo, 1, foi conformado o primeiro caso de coronavírus em Nova York. Segundo informações, a vítima é uma mulher na casa dos 30 anos que esteve recentemente no Irã.

Também houve confirmações de infectados em Rhode Island, com um caso, e na Flórida, com dois.

Trump anunciou nesse domingo que os viajantes de "certos países de alto risco" pelo coronavírus estarão sujeitos a controles de embarque e chegada aos EUA, uma medida que pode afetar aqueles que viajam da Europa e Coréia do Sul.

Ainda no início da madrugada de hoje, dia 2, a Coreia do Sul anunciou mais 500 casos e 4 mortes por coronavírus, confirmando que se trata do país com maior avanço da doença, depois da China. Os números gerais são de 4 mil contaminados e 22 mortos.

O debate político

Embora o número de infectados ainda seja baixo, vários especialistas lamentaram a lentidão das autoridades de saúde em distribuir kits para detectar a doença e reclamaram de uma suposta falta de preparação logística das autoridades.

O ex-vice-presidente e candidato democrata Joe Biden criticou a "incompetência" de Trump ao enfrentar a epidemia, acusando-o de silenciar os principais especialistas do governo.

Os democratas também atacaram os cortes no orçamento propostos por Trump para o CDC e para eliminar em 2018 uma alta posição na Casa Branca de um diretor encarregado da segurança global da saúde.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, liderando a luta contra o novo coronavírus, defendeu a administração da crise nesse domingo pelo governo e disse que o país estava "pronto" para enfrentar a epidemia.

"As pessoas devem entender que, tirando as áreas onde havia pessoas afetadas, para o americano médio o risco ainda é fraco", disse Pence.

"Haverá mais casos. Não há dúvida", disse Pence à NBC News. Mas "reuniremos os melhores especialistas e mentes científicas e trabalharemos todos os dias para conter esta doença, curar as pessoas afetadas. E estou muito confiante no fato de estarmos prontos e sei que vamos superá-la", acrescentou.

Segundo o vice-presidente, mais de 15 mil kits de detecção foram disponibilizados neste fim de semana, e o governo está trabalhando com um fornecedor para produzir mais 50 mil.

No sábado, 29, o presidente Donald Trump havia defendido o tratamento da epidemia, parabenizando-se por ter proibido (no dia 2 de fevereiro) a entrada no território dos EUA daqueles que estiveram na China nas duas semanas anteriores.

Pence anunciou a mesma medida para o Irã no sábado e aconselhou os americanos a não viajarem para as áreas mais afetadas da Itália e Coréia do Sul.

A Casa Branca pediu ao Congresso US $ 2,5 bilhões em fundos para combater a epidemia, mas a oposição democrata reivindica cerca de US $ 8,5 bilhões.

Enquanto isso, comentaristas da direita acusaram os democratas de politizar a crise da saúde, enquanto o filho do presidente Donald Trump Jr. disse esperar que o vírus "matasse milhões" para prejudicar seu pai.

/ COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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