EUA cria vacina contra gripe aviária; Brasil começa a produzir

Uma nova vacina desenvolvida nos Estados Unidos conseguiu proteger camundongos contra a gripe aviária. Se o efeito for confirmado também em seres humanos, seria uma arma importante para proteger o mundo de uma pandemia. A vacina, segundo os cientistas, poderá ser eficaz não apenas contra o vírus da gripe aviária (H5N1), mas contra todas as formas de vírus H5. Em vez de ativar uma resposta de anticorpos, como fazem as vacinas tradicionais, ela ativa a produção de "células assassinas" do sangue, que destroem o vírus. Em camundongos infectados com a cepa do vírus encontrada no Vietnã, a vacina evitou a morte e protegeu contra a perda de peso. Todos os animais não imunizados morreram. Os resultados foram publicados ontem pela revista médica The Lancet em versão on-line. Na semana passada, uma outra equipe nos EUA divulgou resultados quase idênticos, com o uso de uma técnica muito semelhante - caso típico de competição entre grupos de pesquisa e entre periódicos científicos em áreas de grande repercussão. Butantã O Instituto Butantã, em São Paulo, recebeu amostras do H5N1 em janeiro e espera iniciar a produção de uma vacina nos próximos meses, com a cultura do vírus em ovos de galinha. "É muito mais seguro e econômico para o Brasil trabalhar com ovos, já que temos uma produção industrial de alto nível", disse o presidente da Fundação Butantã, Isaias Raw. O meio de cultura para o adenovírus, segundo ele, é caro e não está disponível em larga escala. Para Raw, o eventual desenvolvimento de uma vacina em outro país não altera os planos brasileiros. A meta é produzir 20 mil doses de vacina ainda neste ano - o que vai exigir 20 mil ovos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.