Jeff Wheeler/The Star Tribune/AP
Jeff Wheeler/The Star Tribune/AP

EUA declaram livres de Ebola dezenas que estavam em quarentena

Prazo para manifestação do vírus foi encerrado para a maior parte dos 50 que tiveram contato com o liberiano Thomas E. Duncan

O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2014 | 11h03

Atualizado às 11h55

DALLAS - Dezenas de pessoas que tiveram contato direto ou indireto com Thomas Eric Duncan, o liberiano que morreu de Ebola nos Estados Unidos há duas semanas, foram declaradas livres do risco de contágio da doença. Segundo o jornal The New York Times, para a maioria das cerca de 50 pessoas que eram monitoradas pelas autoridades de saúde, o prazo para a manifestação do vírus, de 21 dias, foi encerrado entre o último domingo, 19, e esta segunda-feira, 20.

Entre os mantidos em quarentena, estava a noiva de Duncan, Luise Troh, responsável por prestar os primeiros cuidados ao doente, quando o liberiano apresentava diarreia, um dos sintomas do Ebola. Ela foi retirada do apartamento infectado junto com o filho de 13 anos e outros dois jovens dias depois de Duncan ter sido hospitalizado. 

Luise Troh expressou alívio pela ameaça de Ebola no Texas estar no fim, mas tristeza pela morte do noivo. "Perdemos muito, mas temos nossas vidas e nossa fé em Deus, que nós dá sempre esperança", disse.

Além dela, os paramédicos que o levaram ao hospital, trabalhadores de saúde e até um morador de rua, que usou a mesma ambulância de Duncan antes de ela ser desinfetada, estavam sob monitoramento.

Ao The New York Times, o pastor de Luise Troh, reverendo George Mason, disse que a família tem encontrado dificuldades para encontrar proprietários dispostos a alugarem uma casa nova para ela. O apartamento antigo foi demolido e vários pertences, incinerados. 

"Ela é americana, quer viver sua vida e ser respeitada porque não fez nada de errado", afirmou Mason. Um filantropo anônimo de Dallas estaria disposto a doar dinheiro para a família, disse o jornal.

Na semana passada, o governo do Texas anunciou a segunda enfermeira que contraiu Ebola após participar do tratamento de Duncan no Hospital Presbiteriano.

O liberiano procurou o serviço de emergência do hospital no dia 25 de setembro, mas foi liberado apesar de avisar que vinha da Libéria, país que registra o maior número de casos da doença no mundo. Ele só foi isolado três dias depois.

Por causa dos contágios, as autoridades de saúde devem exigir ainda mais rigor para os equipamentos de proteção individual de médicos e enfermeiros.

O diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, afirmou que os hospitais terão equipamentos para cobrir completamente a pele dos profissionais que atuem no tratamento de Ebola - segundo ele, uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para países africanos.

Uma equipe médico-militar com 30 pessoas está sendo formada para atuar em casos de Ebola nos Estados Unidos e prestar assistências a curto prazo.

Monitoramento. O número de pessoas sob monitoramento nos Estados Unidos subiu para 149 no último domingo, após atualização dos dados divulgados pelas autoridades americanas.

Além dos casos relacionados a Thomas Eric Duncan, também foram incluídos possíveis contatos de Nina Pham e Amber Joy Vinson - as duas enfermeiras infectadas.

Cuba. Em editorial publicado nesta segunda-feira, 20, The New York Times elogiou Cuba por enviar centenas de médicos para a África Ocidental, onde mais de 4.500 mortes por Ebola foram confirmadas pela OMS. "Cuba está desempenhando um papel mais robusto entre as nações que procuram conter o vírus", afirmou.

Para o jornal - que critica a postura dos países mais ricos diante do surto de Ebola, em especial os Estados Unidos - a medida cubana deveria ser elogiada e imitada por todos. "Apenas Cuba e algumas organizações não-governamentais estão oferecendo o que é mais necessário: profissionais de saúde."

O editorial lamenta, ainda, a cisão diplomática entre os Estados Unidos e Cuba, afirmando que isso traz consequências de vida ou morte. "Em uma coluna publicada no jornal estatal de Cuba, Granma, Fidel Castro argumentou que os Estados Unidos e Cuba devem colocar de lado suas diferenças, ainda que temporariamente, para combater um flagelo mortal. Ele está absolutamente certo", disse.

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