EUA elevam ao máximo nível de alerta do Ebola

Cordão sanitário será ampliado, com recomendações para viajantes e empresas áreas. Principais cidades terão estações de quarentena

Agências internacionais

07 Agosto 2014 | 19h34

WASHINGTON - O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) elevou ao máximo o nível de alerta por causa do surto de Ebola. Na prática, isso significa que será ampliado o cordão sanitário, com recomendações para viajantes e empresas áreas. Também já estão montadas 20 estações de quarentena nas principais cidades, para detectar pessoas que cheguem ao país com o vírus. “As estações de quarentena estão em portos, aeroportos e postos de fronteira e têm pessoal médico e de saúde do CDC”, afirmou a porta-voz do centro, Belsie González.

A “emergência 1” no CDC está reservada para casos graves e, conforme a própria agência governamental, indica a possibilidade de a doença se espalhar - até o dia 4, foram registrados 1.711 casos e 932 mortes. “O surto atual não tem precedentes”, afirmou o diretor do Centro de Controle, Tom Frieden. O mesmo alerta, segundo a imprensa americana, só havia sido dado em outros dois momentos: em 2005, pelo temor de um caos sanitário posterior à passagem do furacão Katrina; e em 2009, no auge da gripe aviária. O diretor admitiu a possibilidade de contágio - sobretudo por viajantes vindos da África -, mas destacou ter “confiança” de que não haverá um surto no País. 

Mas o número de recomendações não para de aumentar. “As companhias aéreas devem negar a abordagem (o contato) de pacientes doentes se houver suspeita de Ebola”, diz um documento entregue pelo CDC às companhias aéreas nesta quinta-feira, 7. Os Estados Unidos já haviam recomendado que se evitassem viagens à área sob surto.

O centro ainda recomenda que todos os aviões que viajarem aos países afetados pelo surto levem equipamento especial, considerando a possibilidade de tratar um paciente a bordo. Belsie ressaltou que todos os hospitais americanos - e não só o Emory, de Atlanta, onde estão dois infectados - podem tratar doenças infecciosas. Já Frieden tem reiteradamente destacado que a letalidade da doença - de até 90% - seria menor se as condições sanitárias para o tratamento fossem melhores - o que não ocorre na África.

Tratamento experimental. Frieden detalhou os cuidados sanitários americanos em uma audiência convocada por uma comissão especial do Congresso americano para discutir a questão Ebola. Segundo ele, mais de 200 pessoas estão trabalhando em Atlanta. E outros 50 especialistas serão enviados à África para tentar conter o problema na origem.

Há a expectativa de que a OMS declare nesta sexta-feira, 8, o surto uma “ameaça sanitária mundial”. Mas o médico responsável pelo controle de epidemias nos Estados Unidos procurou nesta quinta não dar esperanças sobre o uso de um soro experimental para conter os efeitos da doença. 

O anúncio da existência do medicamento motivou uma polêmica internacional e especialistas em ética da Organização Mundial de Saúde (OMS) foram mobilizados para dar sugestões sobre a forma mais humanitária e justa de utilização. Segundo Frieden, porém, não está clara a eficácia dos tratamentos usados com os dois americanos infectados. Ele disse que o melhor enfoque agora seria investir na contenção da doença.

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