EUA iniciam julgamento de grupo que ajuda doentes a morrer

Quatro membros da Final Exit Network são acusados de assistência ao suicídio no Estado da Georgia

Associated Press,

27 Fevereiro 2009 | 13h18

O caso contra uma organização acusada de prestar assistência ao suicídio, conhecida como a Rede Saída Final (Final Exit Network), reacendeu o debate sobre do direito de morrer nos Estados Unidos.    Final Exit Network - site oficial  Pai de Eluana é investigado por homicídio voluntário   O presidente da Rede, seu diretor médico e dois outros membros vão nesta sexta-feira, 27, ao tribunal para responder á acusação de terem ajudado um homem de 58 anos, que sofreu de câncer da garganta e da boca por vários anos.   Os eleitores dos Estados de Oregon e Washington legalizaram o suicídio apoiado por um médico, e um juiz distrital de Montana decidiu, em dezembro, que suicídios do tipo são legais ali, embora a decisão ainda possa ser derrubada pela Suprema Corte estadual.   Mas a maioria dos Estados tem leis que impõem penas pesadas para os réus declarados culpados de assistência ao suicídio. Pessoas condenadas por essa prática no Estado da Georgia podem pegar até cinco anos de cadeia.   Defensores do suicídio assistido criticaram as prisões, dizendo que elas devem ser vistas como um sinal de que o diálogo sobre as opções para o fim da vida deve ser retomado.   Barbara Coombs Lee, presidente do grupo Compaixão e Escolhas, disse que legisladores devem considerar mudanças para permitir que as pessoas que sofrem com doenças terminais "morram graciosamente". os críticos, por sua vez, disseram que as prisões destacam os problemas dos grupos de suicídio assistido.   "Como isso é diferente de homicídio?", pergunta Stephen Drake, do grupo Ainda Não Morto, que se opõe ao suicídio assistido e à eutanásia.   "Isto é predatório. Essas são pessoas que se dão bem ajudando a morte. Elas miram em certos tipos de gente", disse ele. "E quando fazemos leis, quando falamos sobre gente que quer cometer suicídio, estamos entrando em um terreno muito perigoso".   As autoridades da Georgia começaram a investigar o grupo pouco depois de John Celmer se matar, em junho. Agora, alega-se que a organização pode estar envolvida em mais de 200 mortes por todo o país.   Thomas E. Goodwin, o presidente do grupo, e Claire Blehr foram presos na quarta-feira, em um metrô de Atlanta. Foram soltos sob fiança de US$ 66 mil cada. Ambos teriam de voltar ao tribunal nesta sexta.   Autoridades do estado de Maryland prenderam o diretor médico do grupo, Lawrence D. Egbert, e um coordenador regional da organização, Nicholas Alec Sheridan. Ambos serão extraditados para a Georgia. De acordo com documentos sobre o caso, um agente policial infiltrou-se no grupo, afirmando querer cometer suicídio, e obteve informações a respeito de Claire.   Ela lhe teria dito que ele colocaria um capuz na cabeça, que seria inflado com gás hélio. Depois de algumas inspirações, segundo ela, "as luzes vão se apagar". membros do grupo ainda manteriam o gás circulando por 20 minutos após o último sinal de batimento cardíaco, para garantir que estivesse morto.   Regras   Em seu website, a rede apresenta um procedimento detalhado para que as pessoas que buscam pôr fim à vida procurem contato com a organização, incluindo um número detefônico e a promessa de contato com um agente.   Entre os critérios de elegibilidade da rede, estão os de que o paciente deve estar mentalmente capaz; deve ter força física para executar as tarefas necessárias; deve ser capaz de obrter, por conta própria, os materiais necessários.

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