EUA investigam suposta 'doença imaginária'

Imagine seu corpo coberto de feridas. A sensação de insetos caminhando por sua pele. E, para piorar, fibras amarelas e azuis brotando da sua pele. Pode parecer um filme barato de ficção científica, mas uma legião crescente de moradores dos Estados Unidos dizem sofrer da condição, que agora passará a ser investiga pelos Centros de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), órgão do governo dos EUA que lida com epidemias e ameaças à saúde pública. Alguns médicos dizem que os pacientes estão tendo alucinações. Mas a suposta doença - batizada de "Morgellons" - já causa comoção na internet, com centenas de pessoas implorando por ajuda. "Algumas vezes o governo não quer causar pânico", especula Pat Boddie, uma senhora de 64 anos que diz sofrer de Morgellons há 14. "Eles estão tentando determinar se isso vai virar uma epidemia. Odeio dizer, mas já virou". O CDC já recebe cerca de 20 telefonemas ao dia de pessoas que acreditam sofrer de Morgellons. A agência recebeu vários pedidos para iniciar uma investigação, incluindo um de uma senadora. "Vamos tratar disso com a mente aberta", disse Dan Rutz, porta-voz da força-tarefa Morgellons do CDC. Mas até agora não há evidência de um agente infeccioso, e as autoridades sanitárias dizem que ainda nem é possível chamar o fenômeno de doença. Pessoas que alegam sofrer de Morgellons informam uma ampla gama de sintomas, de dor nas juntas a diarréia. Mas a maioria descreve formigamento, feridas, fadiga, "cérebro nublado" e o aparecimento de pequenas fibras sobre ou sob a pele. Alguns dizem sofrer do problema há décadas, mas a síndrome só foi batizada em 2002, quando "Morgellons" foi escolhido por Mary Leitao, fundadora da Fundação de Pesquisa Morgellons. Ela tirou o nome de um artigo médico de 1674 que descreve sintomas semelhantes aos atribuídos ao Morgellons atual. A Fundação se tornou uma fonte de informação e de defesa da pesquisa científica do problema, mas o grupo também assumiu um caráter controverso, com vários membros da diretoria se demitindo, em meio a insinuações de malversação de fundos. Uma das figuras que decidiu deixar a Fundação é o farmacologista Randy Wymore, considerado, pelo menos até a formação da força-tarefa do CDC, o cientista mais respeitável a pesquisar o assunto. Wymore e dois médicos retiraram fibras coloridas da pele de pacientes de Morgellons e as enviaram a um laboratório de perícia policial. Segundo o diretor do laboratório, Mark Boese, não foi possível identificar essas fibras como vindo de roupas ou tapetes. Ele teoriza que as fibras podem surgir de folículos de pêlo do corpo humano, contaminados por poluição. Alguns médicos encaram Morgellons como um problema de saúde mental ou, como diz a psiquiatra Annette Matthews, "ilusão de parasitose", uma psicose em que o paciente acredita estar infestado por parasitas.

Agencia Estado,

08 de agosto de 2006 | 18h38

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