Marco Bello/Reuters
Marco Bello/Reuters

EUA são acusados de boicotar resolução da ONU que incentiva amamentação

Reportagem do jornal 'The New York Times' diz que governo dos Estados Unidos teria ameaçado países favoráveis à resolução; texto prevê limites para propaganda envolvendo fórmulas infantis à base de leite

O Estado de S.Paulo

09 Julho 2018 | 15h31

SÃO PAULO - Representantes do governo dos Estados Unidos se recusaram a apoiar uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que incentiva a amamentação. Segundo revelou o jornal The New York Times, os organizadores esperavam que o texto fosse aprovado rápida e facilmente por todos os países que participam da Assembleia Mundial de Saúde, realizada em Genebra, na Suíça.

Baseada em estudos científicos, a resolução declara que o leite materno é a opção mais saudável para os bebês e, ainda, determina que os países devem limitar propagandas consideradas imprecisas ou enganosas sobre os efeitos de substitutos do leite. Ainda de acordo com o jornal norte-americano, a delegação dos EUA estaria alinhada aos interesses de fabricantes de fórmulas infantis à base de leite.

+ 'Sintam-se livres para amamentar seus filhos aqui', diz papa a mães na Capela Sistina

A reportagem aponta, também, que representantes norte-americanos defenderam modificações textuais na resolução, tais como a que afirma que o governo deve "proteger, promover e dar apoio à amamentação". 

Além disso, o país teria feito ameaças a outras nações, como o Equador, de que cortariam acordos comerciais e militares caso fossem contrariados. Dessa forma, a resolução foi negada por 12 países, a maioria da África e da América Latina.

No fim, os esforços norte-americanos teriam sido majoritariamente em vão após interferência da Rússia.

Ao New York Times, o Departamento de Estado norte-americano se recusou a comentar sobre a situação. Já o Departamento de Saúde e Serviços Humanos admitiu ser contrário à resolução, mas negou ter ameaçado outros países. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.