Emily Kask/NYT
Emily Kask/NYT

EUA vão oferecer 3ª dose de vacina contra covid a partir de setembro

Injeções de reforço serão aplicadas em trabalhadores da saúde, residentes de lares geriátricos e idosos em geral; Brasil também discute aplicação extra

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2021 | 17h43

O governo dos Estados Unidos afirmou nesta quarta-feira, 18, que planeja tornar a terceira dose da vacina contra a covid-19 amplamente disponível para todos os americanos a partir de 20 de setembro, na medida em que aumentam as infecções da variante Delta do coronavírus. Essa nova cepa é mais transmissível e tem freado planos de reabertura nos Estados Unidos e na Europa. Países como Israel e Chile já aplicam a injeção extra, enquanto o debate sobre essa medida ganha força no Brasil. A estratégia divide especialistas. 

A Casa Branca está preparada para oferecer uma terceira dose de reforço a partir dessa data para todos os americanos que concluíram se vacinaram com a primeira dose há pelo menos oito meses, disse em comunicado o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

As doses de reforço inicialmente serão aplicadas em trabalhadores da saúde, residentes de lares geriátricos e idosos em geral. Principalmente porque esses grupos estavam entre os primeiros a serem vacinados nos Estados Unidos no final do ano passado e início de 2021, disse o departamento.

Autoridades de saúde dos Estados Unidos disseram, em comunicado conjunto, que basearam sua decisão de oferecer doses de reforço em dados que mostram que a proteção de vacinas anticovid atualmente autorizadas no país começa a diminuir alguns meses após a vacina ser aplicada.

“Os dados disponíveis deixam bem claro que a proteção contra a infecção por Sars-CoV-2 começa a diminuir ao longo do tempo (...) em associação com a dominância da variante Delta, estamos começando a ver evidências de proteção reduzida contra sintomas leves e moderados da doença", disseram as autoridades.

"Concluímos que uma dose de reforço será necessária para maximizar a proteção induzida pela vacina e prolongar sua durabilidade", acrescentaram. Segundo as autoridades, pessoas que receberam a vacina contra covid-19 de dose única, da Janssen, também precisarão de reforço.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quarta que a aplicação de uma terceira dose da vacina contra a covid-19, caso essa seja aprovada no Brasil, começaria pelos idosos e profissionais de saúde. O debate sobre a aplicação de uma injeção de reforço tem ganhado força no País.

Dose de reforço para imunossuprimidos

Na semana passada, autoridades de saúde dos Estados Unidos já haviam autorizado uma terceira dose das vacinas da Pfizer e Moderna para imunossuprimidos. O programa de reforço segue evidências crescentes de que a proteção contra as vacinas diminui após seis ou mais meses desde a aplicação, especialmente em pessoas mais velhas com condições de saúde não tão boas.

As vacinas estão amplamente disponíveis nos Estados Unidos, ao contrário de muitos outros países, e ainda a variante Delta causou o que os especialistas em saúde descrevem como uma pandemia de não vacinados, pois um número significativo de pessoas opta por não receber o imunizante.

Os novos casos de covid-19, além disso, incluem várias pessoas que foram vacinadas, embora sejam muito menos propensas a experimentam doenças grave ou morte do que os não vacinados.

Nas últimas semanas, vários outros países também decidiram passar a oferecer doses de reforço para adultos mais velhos, bem como pessoas com sistemas imunológicos fracos, incluindo Israel, França e Alemanha. 

Os casos diários de covid-19 nos Estados Unidos dispararam de menos de 10 mil, no início de julho, para mais de 150 mil, do começo de agosto até o momento. Mais de um milhão de americanos buscaram independentemente uma dose extra de vacina antes de a decisão oficial sobre reforços ter sido anunciada.

Organização Mundial de Saúde

No início de julho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que países ricos não deveriam pedir doses de reforço para suas populações vacinadas enquanto outros países ainda não receberam imunizantes contra a covid-19. 

Isso porque, segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, mesmo com o número de mortes está crescendo e a variante Delta se tornando dominante, muitos países ainda não receberam doses de vacina suficientes para proteger sequer seus profissionais de saúde.

"A lacuna global no fornecimento da vacina contra a covid-19 é extremamente desigual e injusta. Alguns países e regiões estão realmente encomendando milhões de doses de reforço, antes mesmo que outros países tenham suprimentos para vacinar seus profissionais de saúde e a maioria vulnerável", disse Tedros. /COM REUTERS

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