Europa mobiliza hospitais contra Ebola

França prepara nove unidades para a eventualidade de uma epidemia mundial. Reino Unido faz ‘quarentena voluntária’

Andrei Netto, Correspondente

12 Agosto 2014 | 03h00

PARIS - Apesar do baixo risco de que uma epidemia de Ebola chegue à Europa, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os maiores países do continente estão preparando suas estruturas de saúde pública para a eventualidade. Nesta segunda-feira, 11, o Ministério da Saúde da França confirmou ter ordenado que nove hospitais do país criem centros de acolhimento de emergência. No Reino Unido, há suspeitos em “quarentena voluntária”. 

Os hospitais nas cidades de Paris, Lille, Rennes, Bordeaux, Estrasburgo, Marselha e Lyon, além de uma base das Forças Armadas em Saint-Mandé, terão serviço de doenças infecciosas, central de reanimação com quartos isolados, laboratório preparado para garantir o confinamento do vírus e helipontos. A informação, até então mantida sob sigilo, foi revelada pelo jornal Le Parisien.

As medidas foram tomadas sem que nenhum paciente infectado pelo vírus tenha sido identificado na Europa, além do padre Miguel Pajares, internado em Madri após ter sofrido o contágio na Libéria.

O governo do Reino Unido, porém, confirmou na semana passada ter “várias pessoas” em “quarentena voluntária”, suspeitas de terem entrado em contato com o vírus na África. Um paciente vem sendo “monitorado de perto” em Cardiff, no País de Gales. “Há outras pessoas no Reino Unido que voltaram de países infectados e que estiveram em risco”, afirmou Anna Humphries, porta-voz do Ministério da Saúde do País de Gales.

Em Londres, uma unidade, o Royal Free Hospital, foi preparada para a eventualidade de infecções em solo britânico. Como medida preventiva, a companhia aérea British Airways cancelou voos para Serra Leoa e para a Libéria.

Suspeita. A atual epidemia de Ebola na África, a mais grave desde a descoberta da doença, em 1976, já teria deixado 960 mortos, segundo a OMS, entre os 1.800 pacientes infectados.

Outro país da África que aumentou a vigilância é a Costa do Marfim, que proibiu voos vindos dos países afetados. Nesta segunda, um estudante alemão foi internado em isolamento em Kigali, Ruanda, após passagem pela Libéria. Um segundo caso da doença foi confirmado na Nigéria, de uma enfermeira infectada na capital, Lagos.

Em compensação, houve um avanço no combate à doença. De acordo com o jornal The Independent, pesquisadores britânicos encontraram o ponto de origem da epidemia, que teria começado a partir da contaminação de uma criança de dois anos no vilarejo de Gueckedu, na Guiné, morta em 6 de dezembro com sintomas da doença.

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