Europa propõe que pessoas com Aids deem assistência a novos infectados

Especialistas acreditam que falar com um 'igual' ajudará a diminuir sensação de medo

Efe

19 Julho 2011 | 10h51

Roma, 19 jul (EFE).- Assessorar novos infectados pelo HIV e ajudá-los a melhorar sua qualidade de vida através de depoimentos de pessoas que já convivem com o vírus são dois dos grandes objetivos do programa apresentado nesta terça-feira em Roma durante a 6ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids (IAS).

"É muito mais útil que uma pessoa que tem HIV explique a outra infectada questões relativas ao tratamento, ao diagnóstico ou à qualidade de vida, já que é uma fonte mais crível por sua experiência e pela empatia", explicou a psicóloga social e gerente da Sociedade Espanhola Interdisciplinar da Aids, María José Fuster.

Segundo María, que tem Aids há 21 anos e participou da redação do programa ao lado de outras mulheres infectadas e de pessoas da área da saúde de seis países europeus, a ideia é que quem preste socorro conheça perfeitamente os problemas de quem precisa porque passou por situações e dificuldades similares.

"Quando uma pessoa se contagia, três grandes temores a tomam: 'Quando vou morrer?', 'O que me vai acontecer se eu começar o tratamento?' e 'Quem vai me querer a partir de agora?'", relatou a psicóloga, ressaltando que ao tratar diretamente com "um igual", muitos dos medos que o paciente tem desaparecem.

"Eles veem que você está bem e se convencem que é possível", acrescenta a espanhola, antes de detalhar que a rede de apoio é "fundamental" para enfrentar a doença e o tratamento contra a Aids, que, segundo os últimos estudos, tem efeitos positivos em 96% dos casos.

A médica da unidade do HIV do Hospital Geral de Vigo Celia Miralles concorda com as afirmações de María e explica que, apesar da crença generalizada, as mulheres são um dos grupos mais afetados pelo vírus, já que as características de seus órgãos genitais as transformam em sujeitos mais vulneráveis.

"Quando falamos de novos casos, a relação de contágio é de três homens para cada mulher, mas quando nos focamos em relações heterossexuais, a taxa passa a ser de 1,3 homens por uma mulher", explica a médica.

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