Europa registra primeira morte por bactéria em legumes fora da Alemanha

Suécia tem morte de mulher que foi internada após viagem ao país; número de casos sobe para 16

AP e Andrei Netto, correspondente de O Estado de S. Paulo,

31 Maio 2011 | 09h18

PARIS - Duas novas mortes ligadas ao surto de uma bactéria que causa infecção gastrointestinal grave, afetando o sangue, os rins e o sistema nervoso, foram registradas nesta terça-feira, 31. Os dois casos, que incluem o primeiro fora da Alemanha, aumentam para 16 o número total de mortes. O número de contaminados já chega a 1.150 em pelo menos 8 países.

 

Um hospital na Suécia anunciou a morte de uma mulher de cerca de 50 anos que havia sido internada no dia 29 de maio depois de uma viagem para a Alemanha. Já na Alemanha, um conselho local anunciou a morte de uma mulher de 87 anos que também sofria de outros males.

 

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De acordo com as primeiras investigações, a bactéria é transmitida pela ingestão de legumes crus, em especial o pepino, e hortaliças. Ahrenkilde Hansen, porta-voz da União Europeia, disse que autoridades alemãs identificaram pepinos procedentes das províncias espanholas de Almeria e Málaga como possíveis fontes de contaminação. Um dos lotes era de uma plantação orgânica, que não utiliza pesticidas. Outro lote, exportado pela Holanda ou pela Dinamarca, está sendo investigado pelas autoridades.

 

O temor de que a contaminação aumente e chegue a outros países levou autoridades da Rússia, Bélgica, República Checa e Áustria - além da Alemanha - a adotar um controle rígido dos legumes importados da Espanha.

 

Distúrbio. A atual série de contaminações pela E.Coli provoca a síndrome hemolítico-urêmica (SHU), um distúrbio renal cujos sintomas são forte dor abdominal, diarreia sanguinolenta e insuficiência renal aguda. Em casos mais graves, o tratamento pode exigir hemodiálise.

 

As estatísticas verificadas na Alemanha indicam que a onda de contaminações é a mais grave da história do país e uma das mais agudas do mundo.

 

Em situações normais, menos de 60 casos de contaminação pela Escherichia coli são diagnosticados por ano no país. A taxa de mortalidade - mais frequente entre crianças - em geral varia de 3% a 5% dos casos, mas, nas circunstâncias atuais, pode ultrapassar os 10% nos próximos dias, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, da Suécia.

 

De acordo com cálculos de Olivier Grieve, pesquisador do Centro Médico da Universidade de Schleswig-Holstein, o número de casos dobrou nos últimos dias, sugerindo uma expansão acelerada da doença.

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS : Higiene previne contaminação

1. Existe mais de um tipo da bactéria?

A E.coli é um dos tipos mais comuns de bactérias. Ela existe não só no intestino humano como no de todos os animais (como bovinos e aves). O índice de coliformes fecais é medido pela quantidade dessa bactéria existente em um líquido, por exemplo. A maior parte dos tipos da bactéria não causa mal à saúde.

 

2. Por que alguns tipos da bactéria são mais agressivos à saúde?

Quando a bactéria adquire material genético, ela pode se tornar invasiva. Em alguns tipos, ela pode provocar diarreia, vômito e até febre - um quadro de gastroenterite infecciosa. Os tipos mais toxigênicos, como é o caso da E.coli 0157:H7, produzem uma toxina denominada shiga, que pode causar uma doença mais grave, a síndrome hemolítico-urêmica. Ela provoca a destruição das células vermelhas do sangue e o aumento da ureia no sangue, afetando os rins do paciente. Há cólicas abdominais intensas, náuseas e febre. Normalmente, ela é causada por precariedade nas condições de higiene na produção de carne bovina.

 

3. Como prevenir a contaminação?

O ideal é lavar muito bem os alimentos que serão consumidos crus e também higienizar bem as mãos. Caso viaje para regiões de contaminação, tenha cuidado especial com alimentos crus e malcozidos - evite comê-los.

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