Denis Balibouse/Reuters
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Europa tornou-se o epicentro da pandemia do novo coronavírus, diz OMS

Os casos confirmados e mortes pela doença passaram a ser registrados mais nessa região do que no resto do mundo combinado, além da China

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2020 | 14h00

SÃO PAULO - A Organização Mundial da Saúde alertou nesta sexta-feira, 13, que a Europa tornou-se o epicentro da pandemia do novo coronavírus no mundo. Os casos confirmados da doença e o número de mortes registrados são maiores nesta região do que no resto do mundo junto, além da China. "Mais casos estão sendo relatados todos os dias do que os relatados na China no auge de sua epidemia", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

Em todo o mundo, a entidade registrou mais de 132 mil casos da doença em 123 países e territórios, além da morte de 5 mil pessoas, algo que Ghebreyesus considera "um marco trágico".

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O diretor-geral afirmou que, agora, a maioria dos países possui um plano nacional, está adotando uma abordagem multissetorial e tem capacidade de testes de laboratório. Mas para reforçar essas medidas, a OMS tem colaborado com as nações e enviou equipamentos de proteção individual para 56 países, está enviando para outros 28, e quase 1,5 milhão de testes de diagnóstico foram destinados a 120 países.

"Nossa mensagem para os países continua sendo: vocês devem ter uma abordagem abrangente. Não fazer testes sozinho. Não rastrear contatos sozinho. Não colocar quarentena sozinho. Não fazer distanciamento social sozinho. Faça tudo", destacou Ghebreyesus. Segundo Michael Ryan, diretor executivo do programa de emergências da OMS, manter distância social é, no momento, a medida mais efetiva para conter a disseminação do vírus. "É baseada no princípio de que você não sabe quem está infectado", explica.

Porém, Maria Van Kerkhove, líder técnica do programa de emergências, completou que a distância social é apenas uma das medidas que vêm sendo promovidas pela entidade. Outras incluem encontrar, de forma intensa, os contatos e testar essas pessoas, saber quem é caso confirmado e quem não é.

Ela reforçou que é preciso manter a boa higiene das mãos, tossir e espirrar na parte interna do cotovelo. "É muito importante que cada pessoa no mundo saiba quais são os sinais e sintomas [do novo coronavírus], saiba a diferença. Sabendo o risco, você pode proteger você mesmo e sua família", afirmou.

Esforços mundiais contra o coronavírus

Maria Van Kerkhove afirmou que a OMS tem trabalhado em prever e se preparar para o que está por vir em relação ao novo coronavírus, mas que cada país tem de estar preparado. "Na Ásia, temos visto uma abordagem agressiva, mobilização da força trabalhadora. Sempre há chance de os casos crescerem de novo, temos de estar preparados."

A OMS, porém, não tem como prever quando o surto atingirá seu pico mundialmente, mas sabe que está próximo. "Tem países que suprimiram a transmissão. Está nas mãos de cada país ser capaz de fazer isso", disse Maria. Ryan falou também sobre a união de entidades científicas para criar vacinas capazes de deter a infecção pelo novo vírus, que estão trabalhando com as mesmas abordagens e protocolos.

Maria apontou que há países que começaram a identificar um grande número de casos e isso é positivo porque significa que eles estão procurando esses casos, tendo uma atitude assertiva diante da pandemia. "Precisamos apoior os países a adotar as medidas corretas. Muito países vão piorar antes de melhorar. Busquem por casos, façam testes", incentiva ela.

As ações que os países adotam hoje, inclusive a própria OMS, é também baseada em experiências anteriores. Sobre isso, Ryan falou das lições que o enfrentamento ao ebola deixou:

- ter coordenação nas ações;

- saber o impactos nos demais setores da sociedade;

- ser rápido, sem arrependimento, ser o primeiro a dar o passo.

"Uma das melhores coisas em trabalhar com respostas emergentes é que você precisa estar certo antes de agir, mas você nunca estará. O problema da sociedade é que todo mundo está com medo de cometer um erro, mas o maior erro é não se mexer", disse o diretor executivo.

Estigma pelo novo coronavírus

Desde o início da epidemia, diversas pessoas, principalmente asiáticas, relataram casos de discriminção e estigma, ou por enfrentarem a doença ou por apenas serem descendentes dessa etnia. Para a OMS, essa é uma postura que "não deve ser tolerada". Maria afirma que as pessoas devem educar a si mesmas sobre o que é o vírus e que ninguém tem culpa de contrair o vírus.

"Temos de ajudar as pessoas o melhor que pudermos, ajudar uns aos outros, providenciar apoio às famílias que têm pessoas infectadas, um membro em quarentena, dar apoio aos profissionais da saúde que estão na linha de frente. Precisamos enfrentar o estigma, as pessoas que apontam", afirmou a líder técnica.

Ghebreyesus observa que líderes políticos, religiosos e comunitários têm um papel importante nesse quesito, construindo uma base moral e incentivar o respeito pelos outros. "Esse vírus é um inimigo comum."

Muitas pessoas também se perguntam o que fazer após a suspeita de ter contato com alguém infectado. Maria Van Kerkhove indica que a melhor coisa a se fazer é entrar em contato com os departamentos de saúde locais, falar sobre as circunstâncias em que se encontra, talvez entrar em quarentena voluntária, para saber quais passos seguir depois.

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