Elcio Alves
Elcio Alves

Ex-empregado de laboratório condenado teve câncer e venceu ação

Exames comprovaram que metais identificados no organismo de Elias Soares Vieira também estavam no solo e no lençol freático da empresa

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2014 | 22h00

CAMPINAS - Elias Soares Vieira, de 48 anos, trabalhou por nove anos na fábrica do laboratório americano Eli Lilly, em Cosmópolis, no interior de São Paulo. Sem nunca ter manipulado produtos químicos usados no local, ele conseguiu provar na Justiça que o câncer renal que adquiriu posteriormente foi provocado pela inalação dos gases tóxicos do laboratório.

"Até hoje me lembro quando urinei sangue pela primeira vez, em 2005", afirma Vieira, que, em novembro daquele ano, foi submetido a uma cirurgia para retirada do rim direito, como parte do tratamento para conter a doença.

Funcionário da área administrativa, Vieira conta que não imaginava que poderia ter sido contaminado pelas substâncias químicas que eram usadas na produção da empresa.

Descobriu que poderia existir ligação entre os gases tóxicos e a doença quando especialistas apontaram que em seu organismo havia metais como chumbo, arsênio, titânio e alumínio. "Essas substâncias também foram identificadas no solo e no lençol freático contaminados da planta", lembra o ex-funcionário da Eli Lilly, que entrou com uma ação contra a empresa em 2007.

Em 2011, Vieira conseguiu sua primeira vitória, no Fórum de Paulínia, no interior de São Paulo. A empresa foi condenada a pagar plano de saúde e a custear o seu tratamento, mas descumpriu a determinação ao não financiar as despesas de saúde e foi executada pela Justiça.

"Essa nova decisão na ação de dano coletivo é um vitória para todos ex-funcionários que, como eu, lutam pelos seus direitos. Isso servirá para todos tantos outros casos de contaminação."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.