Ex-médico será julgado por mais quatro mortes em cirurgias

As mortes aconteceram entre 2000 e 2002; Marcelo Caron ainda responde por deformações em 29 pacientes

Rubens Santos, especial para o Estado,

15 Abril 2009 | 18h04

Um dia após ser condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto, e ao pagamento de multa no valor de R$ 30 mil por danos morais, o médico Dionísio Marcelo Caron descobriu que poderá passar o resto da vida entre o banco dos réus nos tribunais e atrás das grades.

 

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"É claro que nós sabemos que as coisas não estão sendo fáceis, mas acreditamos que é possível reverter todo esse quadro", disse o advogado Douglas Dalton Messora, que iniciou a fase de recursos contra a decisão do juiz Jesseir Coelho de Alcântara, presidente do II Tribunal do Júri de Goiânia (GO).

 

De acordo com Messora, Caron, que não era cirurgião plástico e ainda teve seu registro de médico cassado, deixou de ser réu primário a partir da condenação pela morte da advogada Janet Virginia Novais Falleiro de Figueiredo, sua ex-concunhada, que teve o intestino perfurado após ser submetida a uma cirurgia de lipoaspiração, em 2001, num hospital de Goiânia.

 

Agora, e nos próximos meses, ele será julgado por outros quatro casos de morte por erro médico. Dois deles em Goiânia e os demais em Taguatinga (DF). As mortes ocorreram por complicações cirúrgicas entre 2000 e 2002, quando foi preso e saiu da cadeia quatro dias depois. Ainda responde por deformações físicas em 29 pacientes.

 

Longe dos tribunais, Marcelo Caron terá de abrir mão de uma nova atividade, que assumiu nos últimos dois anos - a de construir casas, empregando madeira, na região da Praia da Pipa (RN), onde mora atualmente. "Olha, eu só construo para famílias que me pedem, nada mais", disse Caron para o Estado, por meio de seu advogado. "Eu gosto de trabalhar com madeira, apenas isso", disse.

 

Não quis responder se a nova atividade, a de construtor, está sendo fiscalizada pelo CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), se obtém ganhos com as obras e qual a dimensão do empreendimento, mas contou que abandonou o curso de Direito que frequentava em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, onde nasceu: "Parei no terceiro ano", disse. E teria entrado para Faculdade de Direito após a enxurrada de processos contra ele.

 

Fez questão de frisar, durante depoimento no Tribunal, que se tornou um homem pobre e sem dinheiro. "Fui obrigado a fazer um acordo no Ministério Público, pelo qual paguei 15 acordos financeiros de supostas pacientes com lesões", disse ele.

 

As 29 mulheres que sofreram mutilações no corpo durante as cirurgias praticadas pelo médico, acabaram tendo que se submeter a cirurgias reparadoras. Entre as mutilações mais comuns estavam auréolas dos seios fora do lugar, formato desproporcional dos seios, e cortes que resultaram em deformidades no corpo.

 

Marcelo Caron garante que fez cursos, congressos e estágio em cirurgia plástica no Hospital Mário Gatti com o mesmo valor de uma residência médica. Porém, o Conselho Federal de Medicina (CFM) disse hoje que só pode ser considerado cirurgião plástico quem, além dos seis anos de Medicina, faz dois anos de residência em Cirurgia Geral, três anos em Cirurgia Plástica e ainda é aprovado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) para obter o título de especialista.

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