Exame de DNA confirma o parentesco entre bebês nascidos em Santos

Exames de ultra-som fizeram os pais acreditar que teriam dois meninos

Rejane Lima, Central de Notícias,

22 Março 2011 | 17h18

Santos - O Hospital São Lucas, em Santos, divulgou na tarde desta terça-feira, 22, que os gêmeos entregues a operadora de caixa Hevelyn Otero Pires, de 22 anos, e ao comerciante Rodrigo Amarelo, de 33 anos, são mesmo filhos do casal e que não houve troca de bebês, como chegou a ser cogitado. A constatação foi feita através de um exame de DNA realizado no Instituto Genoma, em São Paulo.

A dúvida sobre a paternidade das crianças surgiu na última sexta-feira, 19, sete horas após a cesariana de Hevelyn. Ao trocar as fraldas das crianças, uma enfermeira mencionou que um dos bebês era uma menina, surpreendendo aos pais, que achavam que os bebês eram dois meninos, como mostravam as ultrassonografias realizadas durante a gestação. As crianças estavam inclusive usando pulseirinhas azuis - destinadas a bebês do sexo masculino - com os nomes escolhidos pelos pais: Gustavo e Nicolas.

Agora, os bebês serão batizados de Gustavo e Nicole. "A princípio era Nicolas, agora eu simplifiquei, não é Nicolas, vamos de Nicole", explica o pai, afirmando que roupinhas rosas já começaram a chegar para integrar o enxoval, antes cheio de peças azuis.

O comerciante explica que foram realizados cinco exames de ultra-som durante o pré-natal de Hevelyn. "Fizemos inclusive o morfológico, que é o 4D", disse Amarelo, que não questiona a qualidade da clínica que realizou os exames e se diz ciente de que ultrassonografias, principalmente de gêmeos, não são 100% seguras. Entretanto, ele questiona a eficiência da equipe que cuidou dos bebês após o nascimento e não percebeu que era uma menina com pulseirinha de menino.

Amarelo assistiu ao parto, mas não observou o sexo do primeiro bebê, que teve que ser tirado as pressas porque o segundo corria risco. "Quando nasceu o Nicolas, que é a Nicole e enganou todo mundo, ela nasceu bem, mas foi tirada muito rápido porque o Gustavo estava tendo uma insuficiência respiratória por causa do cordão umbilical", disse Amarelo, contando que a Nicole nasceu com 3,250 kg e o Gustavo com 2,450 kg. As crianças passam bem e receberam alta nesta terça-feira junto com a mãe.

O diretor administrativo do Hospital São Lucas, Sérgio Paes de Melo, lamentou a repercussão negativa que a polêmica trouxe para o hospital e afirma que o que induziu ao erro foi o exame de ultra-som. "A mãe e o pai já chegaram aqui com os nomes das crianças e isso induziu alguém a preparar uma papeleta com os nomes. Mas no momento que nasceram as crianças, o pai inclusive estava na sala de parto e induziu mais ainda porque ele disse 'Nasceu o Nicolas'", disse o diretor.

Entretanto, Melo afirma que em nenhum momento acreditou na troca dos bebês. "No momento que deu a confusão foi feito um cruzamento de dados, alguns protocolos que existem nos hospitais, e nós estávamos tranquilos", disse Melo, explicando que mesmo assim, o próprio hospital sugeriu a realização do exame de DNA. "Para a família não ficar com essa dúvida", explicou ele.

Melo afirmou que alguns profissionais da enfermagem foram afastados e que o hospital deverá rever alguns procedimentos, como o preenchimento das pulseirinhas de identificação antes do parto. Entretanto, ele não revelou se funcionários serão punidos ou se o hospital pretende processar a família por difamação. "Vamos instaurar um inquérito administrativo e tudo isso vai ser discutido na diretoria", disse.

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