Exame de sangue pode revelar câncer, anunciam cientistas

Teste, que tem de ser personalizado, atua captando a assinatura genética dos tumores na corrente sanguínea

Reuters,

18 Fevereiro 2010 | 19h08

Um exame de sangue personalizado pode dizer se o câncer do paciente espalhou-se ou retornou após o tratamento, oferecendo uma forma melhor de avaliar a terapia, afirmam pesquisadores dos Estados Unidos.

 

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A existência de um exame capaz de detectar tumores no sangue também pode ajudar os médicos a personalizar os tratamentos, oferecendo terapias mais agressivas a alguns pacientes e poupando outros da quimioterapia e da radiação.

 

"Estamos falando do que poderá ser uma ferramenta de gerenciamento para vários pacientes", disse o médico Bert Vogelstein, da Universidade Johns Hopkins e do Instituto Médico Howard Hughes, e que trabalhou no estudo publicado no periódico Science Translational Medicine.

 

O exame, de base genética, vale-se dos rápidos avanços na tecnologia do sequenciamento do genoma completo - quando todo o material genético de uma pessoa é avaliado - que no passado era um processo caro e demorado.

 

"Isto é realmente medicina personalizada. Não é uma coisa de varejo", disse Vogelstein. "É algo que tem de ser projetado para cada paciente individual".

 

Para o estudo, os pesquisadores tomaram seis conjuntos de tecido normal e canceroso de quatro pacientes de câncer colo-retal e dois de câncer de mama, e mapearam o código genético de cada amostra.

 

Nas amostras com câncer, os pesquisadores procuraram áreas do código genético onde houvesse cópias extras de DNA, ou cromossomos fundidos.

 

"Há cerca de nove rearranjos, em média, em cada amostra", disse o médico Victor Velculescu, de Johns Hopkins, numa reunião da Sociedade Americana para o progresso da Ciência, em San Diego. "Eles não estão presentes no tecido normal".

 

Uma vez identificada a assinatura genética do tumor, eles analisaram o sangue dos pacientes para ver se conseguiam encontrar vestígios de DNA liberado pelo tumor.

 

O resultado foi positivo em dois dos pacientes de câncer colo-retal. Depois que esses pacientes foram operados para a remoção dos tumores, os níveis da contaminação caíram, mas voltaram a subir mais tarde, indicando que o câncer permanecia.

 

A equipe acredita que os exames de sangue poderão ser usados em pacientes para detectar tumores antes que tenham crescido a ponto de serem avistados.

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