Exame do pezinho completa 30 anos

No próximo mês, o teste do pezinho faz 30 anos. O Brasil é um dos três países da América Latina - ao lado do Chile e da Argentina - que aplica gratuitamente o exame, capaz de detectar doenças em recém-nascidos por meio de gotinhas de sangue tiradas do calcanhar. A legislação brasileira garante o direito ao exame desde 1990, mas, embora o número de bebês beneficiados tenha aumentado nos últimos 30 anos, ainda há exames possíveis que não são feitos pela rede pública devido ao alto custo. No início, o exame identificava só a fenilcetonúria. Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) cobre mais três: hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e fibrose cística. Mas nem todos os Estados fazem os quatro testes pelo SUS. Desde 2001, quando o Ministério da Saúde normatizou o teste do pezinho no País, criando o Programa Nacional de Triagem Neonatal, o exame ficou dividido em fases para os Estados se adaptarem. Na fase 1, os laboratórios aptos pelo SUS - no Estado de São Paulo são sete - fazem o exame da fenilcetonúria e do hipotireoidismo congênito. Na fase 2, incluem anemia falciforme e, na fase 3, a fibrose cística. "Os Estados pedem autorização para ter cobertura do SUS a partir do momento que se mostram capazes da fazer os diferentes testes", diz Tânia Marini de Carvalho, consultora técnica do Ministério da Saúde. "As próximas doenças candidatas ao teste, sem data ainda para entrar na lista do SUS, são a hiperplasia adrenal congênita e as deficiências de boitinidas", informa Tania. Só Minas, Paraná e Santa Catarina estão na fase 3. Ou seja, São Paulo ainda está na fase 2. "O Estado está mais do que preparado para cobrir a fibrose cística", avalia José Eduardo Lauandos, coordenador do laboratório da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (Apae), o principal centro de exames do País. "Temos tecnologia e cobrimos 90% a 95% dos recém-nascidos." Sérgio Henrique Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Assistência à Mucoviscidose (outro nome da fibrose cística), complementa: "Dizer que São Paulo não está preparado é balela. Falta vontade política." Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde, órgão responsável pelo pedido de mudança de fase junto ao governo federal, informou que o Estado vai mudar de fase ainda neste ano: "Estamos finalizando um estudo que vai ser apresentado para o Ministério da Saúde". No caso da fibrose cística, especificamente, a margem de erro do teste é alta. "É um exame indireto. De cada 20 resultados positivos, só um é confirmado", explica Fernando Kok, médico do Laboratório Fleury. "Mas, se pensarmos no número de resultados negativos garantidos, o exame presta grande serviço." Isabela Matuck, de 10 anos, recebeu o diagnóstico de fibrose cística com um ano de idade, quando já tinha sintomas da doença. "Nem sabia da existência do teste ampliado", lembra Ana, a mãe. "No meu caçula já pedi o ampliado." Isabela está bem, mas seu dia-a-dia é uma correria: inalações, exercícios respiratórios e antibióticos diários para o resto da vida. O objetivo do teste do pezinho é identificar doenças no recém-nascido que podem ser prevenidas ou, no mínimo, garantir boas condições de vida ao paciente. Até o primeiro mês do bebê, o exame é considerado preventivo. Mas o ideal é que seja feito entre as primeiras 48 horas e a primeira semana de vida. Não pode ser feito antes para evitar que o diagnóstico sofra influência do metabolismo da mãe. Na Apae, cerca de 30 mil crianças que fazem o teste a cada mês - a metade dos recém-nascidos no Estado, pioneiro na adoção do teste. Teste Ampliado - A rede privada vem ganhando espaço com o teste ampliado. Dependendo da instituição, ele detecta de 8 a 40 doenças. No Laboratório Fleury, um dos mais completos, um exame custa R$ 400. Em algumas maternidades, como dos hospitais São Luiz e Albert Einstein, o exame ampliado é incluso. O Santa Catarina e a Apae cobram R$ 85.

Agencia Estado,

28 de março de 2006 | 09h10

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