Exame genético pode detectar fumantes com alto risco de câncer

Droga experimental tenta combater ativação dos genes envolvidos no surgimento da doença

Associated Press

07 Abril 2010 | 17h18

Cientistas parecem ter encontrado um modo de distinguir quais fumantes correm maior risco de desenvolver câncer de pulmão: medindo uma mudança genética crucial em suas traqueias. 

 

Um exame baseado na pesquisa está em desenvolvimento, na esperança de detectar o câncer letal num estágio inicial, onde é mais fácil tratá-lo.

 

Se o trabalho for bem-sucedido, a próxima grande questão será: é possível reverter a reação genética em cadeia antes que ela produza um câncer? Os pesquisadores encontraram uma pista disso em um grupo de pessoas que receberam uma droga experimental.

 

"Eles estão a caminho do câncer de pulmão, e podemos identificá-los com o teste genômico", disse o médico Avrum Spira, da escola de Medicina da Universidade de Boston, que encabeçou a pesquisa, publicada na revista  Science Translational Medicine.

 

O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer, e a fumaça de tabaco é a principal causa da doença. Mas apenas uma fração dos fumantes desenvolve a doença, e não há um meio de prever quem tem mais chance de desenvolver o tumor quem pode escapar. Nem há um método eficiente de detectar o estágio inicial do problema.

 

"Mesmo para quem parou de fumar, há um risco significativo de câncer mais para a frente, e seria bom identificar os pacientes que estão realmente correndo risco", disse o especialista em câncer de pulmão Neal Ready, que não tomou parte no novo estudo.

 

Em vez de focalizar o pulmão em si, a equipe de Spira adotou uma abordagem diferente. O fumo banha todo o trato respiratório em toxinas. Por isso, ele procurou sinais de câncer de pulmão iminente para mais cima, na forma como diferentes genes são ligados e desligados à medida que o corpo tenta se defender.

 

Depois, juntamente com Andrea Bild, da Universidade de Utah, Spira analisou células de 129 fumantes e ex-fumantes, e descobriu que os genes envolvidos na sinalização do câncer eram parte de um caminho genético que, já se sabia, está envolvido na produção da doença, o PI3K. Quando os genes que tomam parte no PI3K estão ativos, um crescimento celular excessivo ocorre, mas a maioria dos estudos examinou os genes apenas já dentro do tumor.

 

Agora, Spina informa ter descoberto a ativação do PI3K em alguns ex-fumantes com lesões pré-cancerosas, mas não em outros com diferentes problemas respiratórios.

 

Spira não tem como estimar que proporção dos cânceres de pulmão é causada por esse caminho, e nem afirmar se pessoas sem esse marcador genético podem fumar impunemente - é possível que haja outros caminhos genéticos para o câncer. Além disso, o fumo também prejudica o coração e pode causar outros tipos de câncer. 

 

Existem algumas drogas experimentais que estão sendo criadas para combater a ativação do PI3K. Um composto já foi testado em nove fumantes com lesões pré-cancerosas, e seis apresentaram melhora.

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