Alessandro Grassani/The New York Times
Equipes de Saúde italianas estão sofrendo com a falta de máscaras. Alessandro Grassani/The New York Times

Expectativa do Ministério da Saúde é que Brasil não terá mesmo número de mortes que a Itália

Pasta evita fazer projeções, mas espera curva de infecção menor do que a do país europeu

André Borges e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2020 | 20h15

BRASÍLIA – Trinta dias após a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus no Brasil, o Ministério da Saúde evitou fazer projeções sobre o avanço da doença no País. Em coletiva nesta quinta-feira, 26, o secretário-executivo da pasta, João Gabbardo, afirmou que não serão divulgadas previsões de contágio e de óbitos.

A expectativa da Ministério, contudo, é de que o Brasil não terá nível equiparado de mortes como as da Itália, país com o maior número de baixas até então e que está perto de ultrapassar a China no número de casos de infectados, com mais de 80 mil registrados. “Esperamos não ter crescimento abrupto (da curva de infecção) como a Itália”, disse.

Gabbardo informou ainda que o governo trabalha com uma expectativa de aumento de casos diários em 33% em relação ao dia anterior. Ele enfatizou que o País tem ficado abaixo dessa porcentagem.

O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira destacou, entretanto, que o Brasil ainda está no início da sua epidemia. “Estamos tentando transformar nossa montanha em um morrinho, mas vamos continuar tendo que escalar ela”, afirmou se referindo a curva de infecção do País. Ele também opinou ser cedo para avaliar a eficácia de medidas tomadas pelo governo e pelos Estados, como as orientações de isolamento social.

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Ministério recomenda caminhada em parques, fechados em várias capitais

Secretário João Gabbardo dos Reis acredita que medida fará bem para a população: 'Só evitem aglomerações'

André Borges e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2020 | 19h42

 

Brasília - Mesmo sabendo que as maiores capitais do País fecharam seus parques públicos para evitar aglomerações, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, o Ministério da Saúde declarou nesta quinta-feira, 26, que não vê nenhum problema em liberar o acesso desses espaços para as pessoas.

"Não é recomendação do Ministério da Saúde que pessoas não possam andar no parque. Por que as pessoas ficarão socadas no apartamento, se podem caminhar no parque?", disse o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, ao comentar o avanço da covid-19 no Brasil.

"Não vemos nenhum sentido na proibição de que as pessoas não possam andar na quadra, no parque. Isso vai fazer bem para as pessoas. É importante fazer uma caminhada de 30 minutos. Vai fazer bem para a pessoa, seu estado físico e seu emocional. Só evitem situações de aglomeração", comentou Gabbardo. "As pessoas podem ir rezar, mas não devem participar de cultos. Essas são as orientações que o Ministério da Saúde dá."

O secretário só não deixou claro, afinal, qual seria o seu conceito de "aglomeração", dado que hoje a orientação técnica é de que as pessoas permaneçam a uma distância de ao menos dois metros de outra pessoa.

Nesta quinta-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a dizer que as quarentenas definidas pelos Estados têm sido muito radicais e defendeu a flexibilização das decisões e o retorno de parte das atividades econômicas. Essa decisão, porém, até o momento, cabe ao gestor estadual. 

"Nós não vamos dizer aqui que não se cumpram o que é feito no Estado", comentou João Gabbardo dos Reis. "Mas temos as nossas recomendações."

IGREJAS

Gabardo também voltou a defender a abertura das igrejas, mas sem a realização de cultos e missas. "Nós não recomendamos o fechamento das igrejas, o que nós recomendamos sim é que não se faça aglomeração. Recomendamos que padres e pastores realizem (celebrações) de preferência usando as redes sociais, usando a internet, sem a presença física", disse.

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'Estamos com três epidemias simultâneas', diz secretáriO da Saúde

Segundo Wanderson de Oliveira, além do novo coronavírus, dengue e influenza também preocupam

André Borges e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2020 | 20h11

BRASÍLIA - O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, declarou nesta quinta-feira (26) que o País enfrenta duas outras epidemias, além do surto do novo coronavírusEle lembrou que pela sazonalidade o Brasil também enfrenta no momento a dengue e a influenza, nome científico dado para a gripe. 

"É um desafio fazer campanha de vacinação em momento que temos quarentena e isolamento em algumas cidades", disse. 

Nesta semana, o governo iniciou a campanha de vacinação contra a gripe. A prioridade inicial é imunizar idosos e trabalhadores da área da saúde. Por conta do avanço do novo coronavírus, o Ministério da Saúde antecipou a campanha  de vacinação que estava programada para 13 abril. 

O secretário sugeriu que a população em isolamento social aproveite para limpar seus quintais com o objetivo de prevenir a dengue. Segundo dados do  Ministério da Saúde relativos ao ano passado, o número de casos de dengue registrados no Brasil em 2019 foi o segundo mais alto da série histórica. Os dados, de janeiro a 7 de dezembro, apontam 1,527 milhão de notificações, concentradas principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Quase dois terços das ocorrências foram em São PauloMinas e Espírito Santo. 

Já em relação ao coronavírus, Wanderson de Oliveira afirmou ainda que o Brasil tem os recursos necessários para a compra de testes, mas que faltam insumos por parte da indústria. "O que falta é fornecedor", disse. Ele lembrou ainda que os exames só são recomendados para casos de pessoas com febre e sintomas respiratórios.

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Pasta da Saúde reprova quarentena mais rígida em São Paulo

Pasta declara ser contra medidas como o fechamento total do Estado

André Borges e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2020 | 19h18

BRASÍLIA – O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse nesta quinta-feira (26) que a pasta não aprova a adoção de uma quarentena mais rígida no Estado de São Paulo e frisou que, se o governador João Doria (PSDB) decidir fazer isso, não terá a aprovação técnica do ministério.

“Temos atuado em cooperação com os Estados. Mas, se o Estado de São Paulo resolver tomar as decisões independentes do Ministério da Saúde, vamos recomendar que não diga mais que estão tomando medidas de acordo com o Ministério da Saúde”, afirmou Gabbardo, ao detalhar a situação do coronavírus no País nesta quinta-feira, 26.

A gestão João Doria cogita aumentar ainda mais as restrições de acordo com a evolução da epidemia. "Existe uma gradação. O que estamos fazendo não é um isolamento. É um distanciamento social. O próximo passo, se houver necessidade, é um isolamento domiciliar ou social. E, se houve necessidade ainda de apertar mais esse cinto, aí seria o lockdown (fechamento total do Estado). E a característica, aí, é o uso da força policial para manter as pessoas em casa", afirmou o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, no entanto, disse que a pasta não vai chancelar uma eventual decisão nesse sentido. “As medidas mais drásticas que São Paulo vai fazer, o Estado deve assumir, mesmo não tendo concordância e não tendo sido discutido com o Ministério da Saúde.”

Na última quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro teve seu embate mais duro com os chefes do Executivo nos Estados desde o início da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Em reunião com os governadores do Sudeste, ele foi cobrado por Doria a ter mais responsabilidade ao tratar da pandemia. O presidente retrucou, acusando o tucano de fazer “demagogia” e usar a situação como “palanque” eleitoral.

Doria afirmou na ocasião que o presidente deveria “dar exemplo ao País, e não dividir a nação em tempos de pandemia”. Bolsonaro retrucou: “Se você não atrapalhar, o Brasil vai decolar e conseguir sair da crise. Saia do palanque”.

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Mortes por coronavírus no Brasil sobem para 77

País tem 2.915 casos confirmados da Covid-19, índice de letalidade está em 2,7%

André Borges e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2020 | 17h09

BRASÍLIA - O número de mortes pela covid-19 chegou a 77 nesta quinta-feira (26), corrigiu o Ministério da Saúde, depois de ter anunciado 78 óbitos. Em relação a ontem, houve um aumento de 20 casos, quando o registrado foi 57 óbitos. O Ministério da Saúde informou que são 2.915 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus, o número representa 482 novas confirmações em relação à última atualização dos dados da pandemia no País. O índice de letalidade está em 2,7%.   

Os estados com maior número de infectados são São Paulo (1052), Rio de Janeiro(421), Ceará (235) e o Distrito Federal (200). A maior parte do óbitos pela doença também ocorreram em São Paulo (58). O Rio registra nove mortes, Pernambuco e Ceará três cada, enquanto Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Amazonas e Goiás registraram um óbito cada.

Se observada as idades das pessoas contaminadas em estado grave, o maior grupo de risco até o momento está concentrado entre 60 e 79 anos. De um total de 391 casos graves avaliados, cerca de 80 pessoas tinham entre 60 e 69 anos e outras 70 pessoas, entre 70 e 79 anos. Há alto registro, porém, de pessoas contaminadas com idade entre 30 e 49 anos, que somam cerca de 110 casos. 

No quadro de vítimas fatais, porém, o perfil dos óbitos mostra uma concentração entre idosos. Entre os 59 casos avaliados até o dia 26 de março, quase 40 são de pessoas com idade entre 70 e 89 anos. 

“Os dados mostram que as maiores vítimas são os idosos, mas também qualquer pessoa que tenha cardiopatia ou diabetes”, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira.

Dos 391 casos graves registrados até agora em todo o País, 341, o equivalente a 88%, estão em UTIs. As demais 50 pessoas estão internadas, em acompanhamento. Desses casos, 58% são homens e 42%, mulheres. Quando observados os óbitos, 68% são homens e 32%, mulheres   

Nesta quinta-feira, o Brasil completa um mês desde a ocorrência da primeira morte no País. São Paulo continua a concentrar o maior número de casos e mortes no País. Já foram registrados até agora 58 mortes em São Paulo e 1.052 casos confirmados. O Rio de Janeiro tem 421 casos confirmados e nove óbitos.

Os demais Estados que já confirmaram mortos no Brasil são Amazonas (1), Ceará (3), Pernambuco (3), Goiás (1), Santa Catarina (1) e Rio Grande do Sul (1), somando as 77 mortes registradas até as 15h00 de hoje.

Os números mostram o avanço da Covid-19 no Brasil desde 25 de fevereiro, quando  um homem de 61 anos com histórico de viagem para a Itália testou positivo para a doença. Desde então, Estados já decretaram emergência em saúde e calamidade pública, e em reunião virtual com o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) na quarta-feira, governadores reiteraram os procedimentos de isolamento adotados para conter a pandemia do novo coronavírus. A manutenção das medidas é recomendada por epidemiologistas e infectologistas. 

Em entrevista coletiva ontem, o Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que “temos que melhorar esse negócio de quarentena, não ficou bom. Foi precipitado, foi desarrumado". Aliados no DEM interpretaram a fala como um recuo estratégico após pronunciamento de Jair Bolsonaro em rede nacional na terça-feira, 24, quando o presidente  voltou a falar em "histeria" em torno da pandemia do novo coronavírus e criticou o fechamento de escolas, entre outras medidas adotadas por governos e municípios.

Sob pressão, Mandetta, que muitos achavam que até poderia deixar o cargo por causa da pressão de Bolsonaro suavizou o tom e negou a intenção de deixar a equipe. Ele procurou dizer, durante a entrevista de quarta-feira, que sua preocupação é com a saúde e a vida das pessoas, e que as quarentenas impostas pelos Estados têm prejudicado, inclusive, o trabalho médico. 

A voz dissonante foi do vice-presidente Hamilton Mourão, que continuou defendendo o isolamento social.  “A posição do nosso governo, por enquanto, é uma só: isolamento e distanciamento social. Isso está sendo discutido e ontem (terça-feira, 24) o presidente buscou colocar. Pode ser que ele tenha se expressado de uma forma, digamos assim, que não foi a melhor”, afirmou. 

 

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