Chip Somodevilla/AFP<br>
Chip Somodevilla/AFP<br>

Expert americano compara epidemia do Ebola à aids

Diretor dos centros de controle dos EUA diz que em 30 anos só síndrome se comparou ao caso atual; africanos criticam reação lenta

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

09 Outubro 2014 | 22h45

Os presidentes dos três países africanos que estão no centro da epidemia de Ebola (Libéria, Guiné e Serra Leoa) afirmaram nesta quinta-feira, 9, que a reação internacional ao vírus é lenta e insuficiente e deve ganhar um sentido de urgência para que o ritmo de expansão da doença seja contido. Já o principal coordenador de saúde americano comparou pela primeira vez o Ebola à aids.

“Em meus 30 anos de trabalho em saúde pública, a única situação semelhante que vi foi a aids. Temos de trabalhar agora para que essa não seja a próxima aids”, disse o diretor dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças (CDCs) dos Estados Unidos, Thomas Frieden, durante encontro para discutir a resposta ao Ebola promovido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial, em Washington.

A reunião teve a participação dos três presidentes africanos, de organizações multilaterais e de representantes de países europeus, asiáticos e americanos. “Eu voltei da África Ocidental há 12 horas e posso dizer que a situação está pior do que estava quando cheguei lá”, declarou Bruce Aylward, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo ele, o vírus ocupou as capitais e sua transmissão está se acelerando, com um índice de mortalidade de 70%. Aylward afirmou que falta unidade na resposta internacional e defendeu a adoção de metas comuns: 70% de enterros seguros e 70% de isolamento dos doentes no prazo de 60 dias.

Os presidentes africanos pediram recursos para criar milhares de leitos adicionais, treinar profissionais de saúde e construir a logística necessária para enfrentar a doença. Também apelaram a outros países para que enviem médicos e enfermeiras que auxiliem no tratamento dos infectados. “Em geral, a resposta internacional tem sido mais lenta do que o ritmo de transmissão do vírus”, disse o presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, que participou da reunião por vídeo.

Fronteiras. Vários dos participantes ressaltaram que o combate ao vírus não é um problema apenas dos países que estão no centro da epidemia. “O Ebola vai cruzar as fronteiras e vai afetar negócios ao redor do mundo”, declarou Donald Kaberuka, presidente do Banco de Desenvolvimento da África. “Provavelmente veremos mais casos em um número maior de países”, disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.

Obama. No dia seguinte ao anúncio de reforço de segurança em cinco dos principais aeroportos do País – que concentram 94% do tráfego vindo de Serra Leoa, Libéria e Guiné –, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez uma teleconferência com prefeitos e autoridades. “Não há muita margem para erro com o Ebola. Se não seguirmos os protocolos que estamos adotando, estaremos colocando pessoas da nossa comunidade em risco.”

A partir de amanhã, cerca de 150 viajantes por dia terão temperaturas medidas por termômetros que funcionam sem contato físico, antes de entrarem no país. Os CDCs já alertam que poderá haver “alarmes falsos”. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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