Prefeitura de Araraquara / Divulgação
Prefeitura de Araraquara / Divulgação

Explosão de casos de dengue faz municípios de SP reativarem estruturas usadas no combate à covid

Doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti já provocou 77 óbitos no Estado este ano

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2022 | 18h44

SOROCABA – O crescimento nos casos de dengue já levou ao menos quatro prefeituras do interior de São Paulo a reativarem estruturas montadas durante a pandemia de covid-19, agora para atender pacientes com a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Conforme a Secretaria de Saúde do Estado, São Paulo registrou, até segunda-feira, 107,4 mil casos de dengue e 77 óbitos. Os números já superam os do mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 104 mil casos de dengue e 41 mortes.

Em Araraquara, com mais de 5,4 mil casos confirmados e dez mortes causadas pela doença, a prefeitura reativou o antigo hospital de campanha da covid-19, transformado no Centro de Atendimento de Dengue. A cidade registrou 150 casos em janeiro, 701 em fevereiro e 3.063 em março. No mês de abril, o número de casos caiu para 1.509, mas aconteceram cinco mortes em um período de três semanas.

Os moradores temem que se repita a epidemia de 2019, quando Araraquara teve 23.134 pessoas infectadas por dengue. Em 2020, foram 231 casos e no ano passado, 396. A prefeitura informou que o centro exclusivo para dengue funciona diariamente, inclusive aos fins de semana e feriados, com horário estendido das 7 às 21 horas. A UPA da Vila Xavier, que desde o início da pandemia passou a atender só casos de covid-19, já retomou o atendimento a outras patologias, inclusive a dengue.

Durante a pandemia, Araraquara foi uma das primeiras cidades do País a adotar um lockdown rigoroso para controlar o novo coronavírus. A medida levou a uma queda expressiva no número de casos e mortes. Agora, os hospitais voltam a ficar com alta ocupação devido à dengue. De acordo com a prefeitura, as medidas de combate ao Aedes foram intensificadas com fumacê e visita de agentes de casa em casa, a fim de retirar criadouros.

Em Dracena, no oeste paulista, o Centro Municipal de Atendimento à Covid (Cemac) passou a atender pessoas com sintomas de dengue. Conforme a secretária de saúde e higiene pública Cláudia Luginick, o serviço foi redirecionado devido à queda nos números de covid-19 e à alta demanda de casos de dengue. A cidade de 47 mil habitantes já registrou 925 casos da doença. O município está instalado 700 armadilhas em pontos críticos para capturar e neutralizar o mosquito.

Desde março, o Hospital Dia do Complexo Pró-Saúde, que foi referência para o tratamento de pacientes com covid-19 em São José do Rio Preto, passou a abrigar o Centro de Hidratação para tratamento da dengue. O serviço conta com 35 leitos e tem o objetivo de apoiar a rede de saúde no acompanhamento de casos suspeitos de dengue para controle de hemograma e hidratação. Boletim da última segunda-feira, 2, confirmou 4.850 casos de dengue na cidade, que tem ainda 3.498 casos em investigação. Quatro pessoas morreram com a doença.

Em Américo Brasiliense, o Hospital Municipal José Nigro Neto agora tem uma ala exclusiva para atender pacientes infectados ou com suspeita de dengue, já que diversos moradores precisam de hidratação, segundo a prefeitura. Conforme a diretora do departamento de saúde, Eliana Marsili, os casos estão crescendo cada dia mais e pressionam os serviços de saúde. Na segunda-feira, a cidade registrou a primeira morte por dengue no ano, de uma paciente idosa de 76 anos.

Já a prefeitura de Garça passou a usar o sistema de videomonitoramento da cidade para flagrar descartes irregulares de lixo e entulho, como medida de enfrentamento à dengue. Durante a pandemia, o sistema serviu para flagrar desrespeito às normas sanitárias, como pessoas sem máscara e aglomerações. A cidade tem mais de mil casos confirmados e registrou uma morte por dengue. Quem for flagrado jogando lixo será multado com base nas imagens.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que o enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti é uma tarefa contínua e coletiva e que as principais medidas de prevenção consistem em eliminar todos os possíveis criadouros do mosquito. Ainda segundo a pasta, conforme diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), o trabalho de campo para combate ao mosquito transmissor de dengue compete primordialmente aos municípios.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.