Fabricante pagará US$ 600 milhões por promoção indevida do Botox

Allergan teria indicado, entre 2000 e 2005, uso do produto para tratamentos terapêuticos

Reuters

01 Setembro 2010 | 20h22

CHICAGO - A empresa farmacêutica Allergan, fabricante do Botox, concordou nesta quarta-feira, 1º, em pagar US$ 600 milhões (1,04 trilhão) para cancelar uma investigação federal sobre suas práticas indevidas de promoção do produto, usado sob a forma de injeção para suavizar rugas na pele.

A empresa teria indicado, entre os anos 2000 e 2005, o Botox para tratamentos terapêuticos contra a dor (cefaleias, espasmos e paralisia cerebral), o que não havia sido aprovado pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos.

A Allergan concordou em se declarar culpada e deve pagar US$ 375 milhões ao governo e outros US$ 225 milhões para resolver ações civis. Segundo o acordo firmado com o Departamento de Justiça americano, a companhia pagará o valor ao governo em impostos não recorrentes no seu terceiro trimestre fiscal.

Após a decisão, as ações da empresa subiram 2,75%, em um dia de forte alta no mercado.

Aprovação

Em março, a agência sanitária americana Food and Drug Administration (FDA) aprovou o Botox para tratamento de rigidez muscular no cotovelo, punho e nos dedos em adultos com espasmos nos membros superiores. O rótulo do produto agora inclui instruções para esse fim, segundo a empresa.

Baseada em estudos anunciados em setembro de 2008, a Allergan solicitou à FDA a aprovação do Botox para tratamento de enxaqueca crônica. Espera-se que a entidade se pronuncie sobre o assunto até o fim de 2010.

Embora o Botox seja aprovado em 70 países, como Reino Unido e Canadá, para o tratamento de sintomas associados à paralisia cerebral juvenil, o produto não tem homologação nos EUA, onde é utilizado atualmente sem regulação sanitária.

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