Fabricante sabia que próteses não estavam homologadas

Em declarações à polícia em 2010 dono da empresa admitiu ter empregado gel mais barato e enganado agência certificadora

Efe,

06 de janeiro de 2012 | 10h22

 Jean-Claude Mas, fundador da empresa fabricante das próteses mamárias que estão sendo retiradas por potenciais riscos à saúde, declarou à polícia que sabia que as próteses não estavam homologadas.

Em suas declarações feitas em 2010 e conhecidas hoje, difundidas por vários meios de comunicação, Mas, que está sendo procurado pela justiça francesa, declarou que não tinha "nada a declarar" às potenciais vítimas das rupturas dos implantes PIP.

Além disso, reconheceu ter empregado "conscientemente um gel não homologado" porque era mais barato e afirmou que as pessoas que apresentarem denúncias sobre os implantes o faziam "para obter dinheiro".

Ele assegurou à polícia que era "fácil" enganar o órgão que deveria certificar as próteses e que era uma tarefa "cotidiana": "eu dava a ordem de esconder qualquer documento com rastro do gel PIP sem homologação e os empregados se encarregavam de fazê-los desaparecer".

Isso ocorreu em novembro de 2010 quando Mas declarou à polícia da unidade de investigação de Marelha (ao sul da França), depois de uma denúncia da Agência Francesa de Segurança Sanitária e Produtos da Saúde(AFSSAPS).

Sobre os motivos pelos quais decidiu usar esse componente nas próteses, Mas disse na ocasião que conhecia e que "satisfazia completamente" e acrescentou que não tinha conhecimento de que apresentasse riscos à saúde.

Além disso, disse à polícia quando questionado sobre como se sentia ao saber das denúncias: "faz 30 anos que me sinto bem".

Em outra declaração, em outubro de 2011, Mas insistiu ter escolhido o gel PIP porque "era mais barato (...) e de melhor qualidade".

Na França, as autoridades sanitárias anunciaram há alguns dias que 20 mulheres que receberam os implantes declararam ter câncer.

No entanto, a AFSSAPS declarou que não foi estabelecida nenhuma relação entre esses tumores e os implantes, que estão sendo retirados pelos riscos de ruptura.

Estima-se que na França cerca de 30 mil mulheres receberam as prótses. O fundador da empresa, de 72 anos, enfrenta duas investigações por fraude.

Após detectar problemas nos implantes, o governo recomendou às francesas a retirada e se comprometeu a arcar com os custos, mas apenas custeará a colocação de novas próteses por motivos médicos, e não estéticos.

No mundo todo, entre 400  mil e 500 mulheres devem ter recebido as próteses PIP.

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