Falhas e disputa com CRMs atrasam em 1 semana início de médicos do exterior

Governo anuncia que dará semana de 'acolhimento' nas capitais para profissionais formados em outro país, mas estratégia é ganhar tempo para resolver resistências ao programa, sobretudo na concessão de registros provisórios por conselhos

Angela Lacerda / RECIFE e Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2013 | 02h04

O governo adiou em pelo menos uma semana o início das atividades dos médicos estrangeiros e brasileiros formados no exterior no programa Mais Médicos. Pelo cronograma, os profissionais deveriam começar a trabalhar na segunda, dia 16. Oficialmente, o governo diz que os bolsistas pediram uma semana extra de formação. Na prática, ganha-se tempo para resolver ações judiciais, falhas e resistências até na concessão de licenças de trabalho.

O Ministério da Saúde alega que o adiamento acontecerá porque esses médicos passarão por uma semana de acolhimento nas capitais em que vão atuar para conhecer peculiaridades locais. "Será uma formação complementar", afirmou o ministro, Alexandre Padilha. Esse "acolhimento", porém, não estava previsto no cronograma. A estada dos profissionais ainda será acertada com os Estados.

Um dos principais entraves está no fato de que vários Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) se recusam a fornecer o registro provisório a esses profissionais sem que eles façam a revalidação oficial do diploma e apresentem a comprovação de proficiência na Língua Portuguesa. Além disso, como o Estado mostrou anteontem, por causa da demora no pedido oficial de registro provisório, outros conselhos - como São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul - ameaçavam só liberar licenças após o dia 18.

"É um fator de prejuízo para o programa", afirmou ontem o secretário de Gestão de Trabalho e de Educação de Saúde, do Ministério da Saúde, Mozart Sales. Ele acompanhou o ministro Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União (AGU), ao Tribunal Regional Federal (TRF-5), no Recife, para protocolar recurso contra a decisão da Justiça Federal do Ceará, que desobrigou o Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec) de fornecer os registros aos médicos que vão atuar naquele Estado. Segundo a AGU, há 57 ações contra o programa em andamento (mais informações nesta página).

De acordo com o ministério, o governo decidiu promover essa semana de acolhimento porque houve demanda dos médicos. "Os profissionais vão ter compreensão da média e alta complexidade, vão entender como funciona a rede de referência em cardiologia, uma central do Samu, a regulação de leitos", afirmou o secretário.

Mais problemas. Além do Ceará, ontem o Conselho Regional do Espírito Santo negou o pedido de registro provisório de dois médicos que trabalhariam no programa. O órgão entrou com ação civil pública contra o Mais Médicos dia 20.

E os problemas não acabam por aí. O conselho de São Paulo, por exemplo, diz que recebeu documentos incompletos, feitos em cópias simples, sem traduções oficiais, o que dificultaria a análise dos dados. Por isso, o ministério agendou uma visita ao local amanhã, a fim de fazer uma conferência da documentação. /COLABOROU LÍGIA FORMENTI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.