Falsários vendem receita médica pelo Orkut

Aproveitando as comunidades virtuais que discutem anorexia e bulimia, criminosos utilizam o Orkut para vender receitas médicas falsas. Assim, pessoas com a doença - principalmente garotas jovens - conseguem, livremente, comprar remédios controlados, como moderadores de apetite, em qualquer farmácia. Isso ocorre em grupos como Anorexic Beauty, Pró Anna Gorda e Anorexia/Bulimia, que reúnem pessoas que sofrem da doença. Nessas comunidades, criadas oficialmente para discussões sobre formas de emagrecimento, os criminosos aproveitam para propagandear os seus ?negócios.? Na anorexia/Bulimia, por exemplo, quem clica no tópico ?Receita azul? acessa o seguinte texto: ?Receita azul: para compra de medicamentos controlados.? Logo em seguida, o criminoso informa um e-mail para os interessados ?entrarem em contato.? Fazendo-se passar por um jovem com anorexia, a reportagem entrou em contato, via MSN, com o vendedor. ?A receita custa R$ 20 e a postagem R$ 6?, avisou ele, que se identificou como Natanael. Ele, então, informou que, para fazer a compra, seria necessário, antes, efetuar um depósito bancário em conta corrente. Depois, ele enviaria a receita pelo correio. Segundo o criminoso, a receita que ele vende não é falsa. ?É prescrita por uma endocrinologista que trabalha com a minha fornecedora?, disse. E como saber se essa médica existe mesmo? ?Caso tenha alguma dúvida, você pode ligar para uma farmácia, que eles irão confirmar para você?, disse. Natanael, então, informou o número do registro profissional e o nome da médica. Com essa informação, o Link chegou à cardiologista Emília - ela não quis informar o nome completo -, que atua em Bauru, interior do Estado. ?Não sou eu quem está prescrevendo essas receitas?, disse ela. ?Roubaram o meu carimbo médico em 2002 e, desde então, falsários estão usando o meu nome.? Emília disse que descobriu isso em 2005, após o aviso de um farmacêutico local, que estranhou a grande quantidade de receitas recebidas com a assinatura da médica. Os receituários prescreviam o uso de moderadores de apetite. ?Nem sou endocrinologista?, afirma ela. Em maio do ano passado, a médica fez um boletim de ocorrência no 3.º Distrito Policial da cidade. O delegado Ismael Cavalieri, que teve acesso às receitas falsas, confirma que não foi a cardiologista quem as fez. A falsificação é muito grosseira. Até a textura do papel é diferente do empregado numa receita original?, diz Cavalieri.

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