Falta de atenção na realização de multitarefas é foco de estudo

Perceber várias coisas ao mesmo tempo é possível para aqueles com maior capacidade de memória de trabalho

estadão.com.br,

18 Abril 2011 | 15h39

SÃO PAULO - Psicólogos da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, estudaram o que pode se chamar de "cegueira da desatenção", que ocorre, por exemplo, quando uma pessoas perde a atenção ao falar ao celular enquanto dirige.

O que eles perceberam é que as pessoas que não conseguem perceber algo que está bem na frente delas tem uma capacidade menor da memória de trabalho, que diz respeito à capacidade de focar a atenção, quando necessário, em mais de uma coisa por vez sendo que ela retém pouca informação. O estudo será publicado na edição de maio da revista The Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory and Cognition.

Para este estudo, os pesquisadores usaram um vídeo já famoso na internet que mostra dois grupos jogando basquete enquanto uma pessoa vestida de gorila passa entre elas. É comum as pessoas não perceberem o gorila porque elas estão ocupadas contando quantos passes um dos grupos está fazendo, ou seja, a pessoa se concentra tanto em um tipo de informação que não consegue perceber o que acontece nos arredores. O vídeo faz parte de um estudo sobre atenção seletiva conduzido por Daniel Simons e Christopher Chabris, em 1999, e que rendeu até um livro.

Foram observados 197 estudantes, com idades entre 18 e 35 anos que, obviamente, não tinham assistido ao vídeo do gorila anteriormente. Mas antes, os psicólogos fizeram um teste para verificar a capacidade da memória de trabalho dos voluntários. Eles fizeram um teste com problemas matemáticos que eram seguidos por uma letra, como no exemplo: "Oito dividido por quatro, mais três é igual a quatro? A". Os estudantes depois recebiam pontos caso lembrassem das letras e da ordem correta em que apareciam. Mas para terem o perfil analisado, eles tinham que ter 80% das equações respondidas corretamente, isso porque os pesquisadores queriam ter a certeza que os voluntários não focaram apenas nas letras, mas também em solucionar os problemas.

Só depois disto o vídeo do gorila foi mostrado. Da mesma forma, foi pedido para que eles contassem os passes de um grupo e dissessem se tinham notado algo estranho no vídeo. Para ter certeza que os estudantes que disseram que viram o gorila estavam tanto prestando atenção no homem fantasiado quanto nos passes dos jogadores, os pesquisadores também levaram em consideração apenas aqueles que responderam o número correto de passes ou que se aproximavam em 80% da respota correta.

O resultado a que eles chegaram é que entre aqueles que realmente contaram os passes, 58% também notaram o gorila. Separando as pessoas entre aqueles que tem uma maior ou menor capacidade de memória de trabalho, 67% das pessoas do primeiro grupo perceberam o homem fantasiado enquanto que entre os outros, aqueles com menor capacidade, apenas 36% perceberam o gorila.

"Se você estiver contando os passes corretamente, e você é bom em prestar atenção, você tem duas vezes mais chance de perceber o gorila se comparado com as pessoas que não são boas em prestar atenção", disse Jason Watson, que fez parte do grupo de pesquisadores deste estudo. "Pessoas que perceberam o gorila tem uma boa capacidade de focar a atenção. De alguma forma, eles têm o foco flexível". O que isto quer dizer é que estas pessoas são boas para fazer várias tarefas de uma vez.

Agora o que falta ser estudado, de acordo com os psicólogos, é se esta capacidade é influenciada pela rapidez com que o cérebro processa a informação ou pelas diferenças nos tipos de personalidades das pessoas.

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