Falta de leitos no SUS impede transplante de medula

Atualmente, 89 pacientes que já encontraram doador aguardam na fila pela má infraestrutura

Agência Estado

14 Junho 2010 | 10h02

SÃO PAULO - A falta de leitos hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) dificulta a expansão dos transplantes de medula no País, apesar do crescimento do número de potenciais doadores. Atualmente, 89 pacientes que já encontraram doador compatível aguardam na fila em razão da falta de infraestrutura adequada de atendimento. Para amenizar o problema, o Ministério da Saúde promete liberar R$ 15 milhões para a implantação de 80 novos leitos em todo o Brasil dentro de um ano, segundo informou a pasta.

O número de potenciais doadores de medula óssea no Brasil subiu de 40 mil, em 2003, para 1,6 milhão, em 2010. O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) já é o 3º maior banco do gênero no mundo e está integrado com o Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário. Com isso, as chances de portadores de doenças como leucemia, linfoma e anemia grave encontrarem um doador de medula não-aparentado minimamente compatível subiu de 10% para 74%. "Quanto mais rápido se encontra o doador, maior se torna a demanda por leitos", explica o secretário de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame.

Hoje existem 350 leitos no País e 61 hospitais que realizam transplante de medula - a maioria nas Regiões Sudeste e Sul. "Pretendemos ampliar a oferta onde já há leitos, mas também criar novos centros onde hoje não há nenhum, como no Norte e Nordeste", afirma Beltrame. "Espero que, colocando à disposição os recursos, em cerca de um ano os leitos estejam funcionando."

Mas criar um novo leito de transplante não se resume a construir um apartamento com uma cama. Para Luis Fernando Bouzas, diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a falta de recursos humanos é um obstáculo ainda maior que a falta de infraestrutura física. "No ano passado, o Ministério da Educação autorizou a residência médica em transplante de medula óssea, o que foi importantíssimo. Com o aumento no número de leitos, vai aumentar a demanda por médicos especializados. Sem eles essas unidades não evoluem", diz Bouzas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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