Falta de profissionais e centros dificulta tratamento de lipoatrofia facial no SUS

Técnica repõe volume de gordura perdido no rosto de pacientes com aids e recupera autoestima

Agência Brasil

03 Setembro 2010 | 19h28

RIO DE JANEIRO - A falta de profissionais capacitados e de planejamento dos governos estaduais e municipais, que não instalam centros especializados, impede que o tratamento de lipoatrofia facial seja estendido a todos os pacientes com aids na rede pública de saúde do País, disse nesta sexta-feira, 3, o dermatologista Márcio Soares Serra, consultor do Ministério da Saúde para esse tipo de distúrbio, que provoca perda de gordura na face.

A técnica repõe o volume de gordura perdido no rosto de soropositivos. O assunto será tema de palestra de Serra no 65º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que começa neste sábado, 4, no Rio de Janeiro.

Há dois anos, o dermatologista vem treinando médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer o preenchimento facial de forma gratuita, como prevê a Portaria 2.582/2004 do ministério, que incluiu cirurgias reparadoras para pacientes com aids na tabela do SUS.

O grande problema, segundo o dermatologista, é que o preenchimento é feito com um material permanente “e nem todos os profissionais têm habilidade para fazer isso, tornando o procedimento mais lento e o aprendizado mais demorado”.

A falta de material para a rede pública é outro problema que dificulta o avanço do tratamento em todo o Brasil. A substância empregada é o metacrilato, pó acrílico é colocado no gel para que possa ser injetado sob a pele.

A escassez de centros especializados também é outro problema que limita o acesso ao tratamento. No Rio de Janeiro, apenas a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Hospital Geral de Bonsucesso oferecem esse serviço. São Paulo é o Estado com o maior número de municípios com unidades de saúde capacitadas. Em Fortaleza e Cascavel (PR), também existem centros com essa finalidade. “Então, aos poucos, a gente está tendo isso pelo Brasil”, disse Serra.

O médico também destacou a importância do tratamento para a recuperação da autoestima de pessoas com aids. “Já tive dois pacientes que conseguiram emprego depois que fizeram o preenchimento facial. Quando volta a ter uma fisionomia normal, o indivíduo se sente confiante para voltar à vida”, afirma.

De maneira geral, na maior parte dos pacientes e dependendo do grau de atrofia, o preenchimento facial é feito em duas ou três sessões. Na rede privada, dependendo do profissional, o custo do tratamento oscila entre R$ 1.400 e R$ 3 mil.

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