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Falta vacina contra tuberculose em maternidades e centros de imunização particulares

Motivo é problemas na produção; famílias com bebês recém-nascidos devem procurar rede pública

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2018 | 15h10

SÃO PAULO - Essencial para a proteção contra a tuberculose em recém-nascidos, a vacina BCG está em falta em maternidades e centros de imunização particulares da cidade de São Paulo.   

As maternidades Pro Matre Paulista e Santa Joana informam às pacientes que há um mês e meio estão sem a vacina. Aconselham às mães a procurar a rede pública de saúde nos 30 primeiros dias do nascimento do bebê para que a imunização seja realizada. 

No fim de 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a produção da vacina BCG da Fundação Ataulpho de Paiva após inspeção apontar indícios de falhas nas chamadas 'boas práticas' adotadas durante o processo de fabricação. 

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A entidade não retornou à solicitação da reportagem, mas no site institucional informa que, de 29 a 31 de janeiro deste ano, a vigilância sanitária inspecionou a unidade fabril de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e concluiu que ela se encontra em condições técnico-operacionais para a produção da vacina BCG e do Imuno BCG 40mg. "Desta forma, após a respectiva publicação, retomaremos o processo de fabricação, devendo o Imuno BCG 40mg ser liberado para comercialização em meados de maio deste ano", destacou a nota. O espaço permanece aberto para posicionamento da fundação.

Em nota, as maternidades informam que voltarão a oferecer a vacina BCG assim que o recebimento for normalizado. 

Centros de imunização particulares da capital paulista, como Fleury, Pró-Imune e Centro de Imunização do IPGO, também não estão oferecendo a vacina BCG. Em todas as unidades, o valor era de R$ 70, mas a vacina está em falta por problemas de produção.

Além do fornecimento comprometido, o fato de um frasco com dez doses precisar ser usado em apenas seis horas depois de aberto também é uma barreira para a rede particular. Segundo atendentes, que preferiram não se identificar, muitas vezes duas ou três doses são aplicadas em recém-nascidos e o restante é descartado. 

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A Sociedade Brasileira de Pediatria esclarece que o desabastecimento na rede privada não é incomum, geralmente acontece em períodos de mais demanda e menor produção. A orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS) para a vacinação.

O Ministério da Saúde esclarece que na rede pública de saúde a distribuição da vacina BCG está regular em todo o País. 

Este ano, já foram enviadas mais de 5,4 milhões de doses a todos os Estados. "É importante ressaltar que a distribuição de vacinas é realizada mensalmente pelo Ministério da Saúde, de acordo com a solicitação feita pelos Estados. Cabe ainda aos próprios Estados, uma vez abastecidos, fazer o repasse aos respectivos municípios, sendo estes responsáveis pelo abastecimento de suas respectivas salas de vacinação", ressaltou a nota.  

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A pasta esclarece que distribui imunobiológicos apenas para a rede pública de saúde. Hospitais e clínicas da rede privada compram vacinas diretamente de laboratórios fornecedores.  

O laboratório nacional Ataulpho de Paiva é o fornecedor da vacina BCG ao Ministério da Saúde. Em 2016, o Ministério da Saúde adquiriu deste laboratório 10 milhões de doses da vacina BCG.  Por causa da readequação do Ataulpho de Paiva às normas de 'boas práticas' da Anvisa e, para não haver desabastecimento da vacina BCG na rede pública de saúde, em 2017, a pasta  importou 9 milhões de doses do laboratório indiano Serum. 

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo informa também que as crianças nascidas nas maternidades públicas da cidade recebem a dose da vacina BCG antes da alta hospitalar, portanto, a demanda nas unidades de saúde é baixa.

O atendimento nas UBSs acontece por meio de agendamento, que tem o objetivo de otimizar a utilização do conteúdo do frasco, que possui validade de seis horas após a abertura da embalagem. Em algumas unidades, há dias específicos na semana para a aplicação da vacina.

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