Faltam profissionais especializados na rede pública

Ainda que a doença mental não permita uma prevenção primária, é possível agir para evitar conseqüências mais graves, afirma o chefe do Serviço de Psicologia Médica e Saúde Mental do Hospital do Fundão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marco Antônio Brasil. Porém isso não vem acontecendo, já que os postos de saúde e o Programa de Saúde da Família (PSF) carecem de profissionais especializados. ?É preciso atuar no início da doença para evitar a internação. Mas, infelizmente, com todos os recursos disponíveis, sabemos que nem sempre isso é possível. Nos casos de internação, acho que ela deveria ocorrer nos hospitais gerais. O único paciente que é tratado em um espaço separado é o que sofre de doença mental. É importante quebrar esse estigma, que ainda é muito forte?, avalia Brasil, que já foi presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. Perguntado sobre a eficácia dos medicamentos de última geração, o especialista ressalta que eles dão melhores resultados no caso da esquizofrenia refratária, que pouco responde às drogas clássicas. Enfatiza, porém, que é preciso haver um acompanhamento do uso. ?Se não houver protocolo de indicação para que as drogas mais avançadas sejam dadas para quem realmente precisa, vai faltar medicamento?, observa. Segundo o Ministério da Saúde, são gastos, por mês, R$ 10,2 milhões para a compra de medicamentos contra esquizofrenia, o que corresponde a 3 milhões de unidades. O coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, reconhece que o medicamento é essencial para o tratamento do paciente. Mas ressalta a necessidade de psicoterapia e reabilitação psicossocial. Sobre a rede pública de atendimento, Delgado entende ter havido muitos avanços a partir da substituição do modelo centrado nos grandes hospitais para unidades onde o tratamento não requer, necessariamente, a internação. Delgado cita ainda a existência programas de inclusão cultural e de geração de renda e as 475 residências terapêuticas, onde vivem 2,6 mil pacientes que há muito perderam contato com a família.

Agencia Estado,

13 de fevereiro de 2007 | 10h56

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