Faltam remédios para enfrentar gripe suína na Argentina

Governo não descarta fechar locais públicos, apesar de prejuízo diário estimado em US$ 500 milhões

Marina Guimarães, da Agência Estado,

03 Julho 2009 | 11h47

O ministro de Saúde da Argentina, Juan Manzur, reconheceu nesta quinta-feira, 2, que faltam medicamentos e insumos para enfrentar a gripe suína no país, porém anunciou que "dentro de 36 horas ou 48 horas os remédios chegarão ao interior e às farmácias".

 

O ministro disse que o governo está seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde, mas não confirmou as versões da imprensa e de especialistas de que haveria mais de 50 mortes provocadas pela gripe no país. "É verdade que foram registradas 44 (mortes), e há outros casos sobre os quais estamos esperando as análises para confirmar se eram portadores do vírus", afirmou, sem divulgar números.

 

Manzur não descartou a possibilidade de determinar o fechamento dos locais públicos do país. "Tomamos uma série de medidas e precisamos esperar de 48 a 72 horas para ver a evolução. Se for necessário, adotaremos medidas mais drásticas", disse. Uma medida extrema como o fechamento dos lugares públicos, a exemplo do que ocorreu no México, poderia causar um prejuízo diário ao país da ordem de US$ 500 milhões, equivalente a 50% do Produto Interno Bruto, segundo informou o jornal El Cronista.

 

Queda nas vendas

 

As autoridades recomendam à população que não frequente teatros, cinemas, restaurantes, shopping e cancele as viagens de férias. Somente com essa recomendação, as agências de viagens calculam uma queda de 30% de suas vendas. Na Argentina, é uma tradição e um prêmio ao estudante que termina o secundário realizar uma viagem de comemoração a Bariloche, mas a pedido do governo as operadoras adiaram as datas dos pacotes.

 

"A ordem das autoridades de Turismo é de que não reforcemos a situação, para não gerar pânico, mas a verdade é que os clientes estão cancelando, sim", reconheceu o dono de uma agência de turismo que opera diretamente com o Brasil. Segundo ele, cerca de 30% dos pacotes da agência para julho já foram cancelados.

 

Os produtores de teatro temem um fracasso nas obras teatrais preparadas para as férias de inverno. O gerente de um dos teatros da famosa Avenida Corrientes disse que vários espetáculos já foram adiados. "A crise que provocou desemprego e temor em relação a gastos já nos levou a uma perda de 25%, comparativamente ao primeiro semestre do ano passado", disse ele, que preferiu não se identificar.

 

Os comerciantes, por sua vez, anteciparam as liquidações da temporada. "Normalmente, fazemos as liquidações em meados ou final de julho, mas não sabemos onde essa epidemia vai nos levar e preferimos antecipar", explicou a gerente de uma importante loja de marca de roupas femininas do país. Ela também optou por não se identificar.

 

No comércio varejista, as expectativas são de que a situação na Argentina chegue a um ponto extremo que levará ao fechamento de todos os lugares públicos. De fato, vários municípios no interior já cancelaram todas as atividades culturais, esportivas, sociais e fecharam os estabelecimentos comerciais. A primeira cidade a tomar essa medida foi Pergamino, na última terça-feira, 30, e nesta quinta-feira Quilmes, Morón, Ituzaingó e outras fizeram o mesmo.

 

A decisão de Pergamino provocou um efeito dominó, mas em Buenos Aires, onde foi registrado o maior número de mortes e contágios, essa hipótese é descartada com veemência pelo governo. "Parar um país tem um custo social, econômico e psicológico muito grande", explicou o infectologista da Universidade de Buenos Aires, Horacio López.

 

Empresas orientam funcionários

 

As grandes empresas estão orientando seus funcionários a não comparecer ao trabalho em caso de sintomas de gripe. A concessionária dos principias aeroportos do país, Aeropuertos Argentina 2000, criou um comitê de crise, formado por profissionais de saúde, para acompanhar a doença entre os funcionários. As cadeias de supermercados Carrefour e Wal-Mart tiveram reação similar e também oferecem álcool em gel nas prateleiras aos clientes e funcionários.

 

Nas farmácias, o álcool e as máscaras estão esgotados. As recepcionistas de empresas como Telefônica, Edesur, Personal e outras higienizam as mãos com o álcool em gel à disposição nos balcões de atendimento. As montadoras Ford, Peugeot e Renault enviaram mensagens de alertas por e-mail. Em geral, as companhias estão com ampla campanha de divulgação entre os funcionários sobre as medidas de prevenção e como atuar em caso de sintomas da gripe.

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