Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Mãe de jovem com epilepsia comemora liberação de remédio à base de maconha

Guilherme, de 20 anos, usa canabidiol para evitar crises convulsivas desde 2014; família conseguiu decisão para ter acesso a produto

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 08h30

SÃO PAULO - Guilherme tinha 2 meses de vida quando foi diagnosticado com epilepsia de difícil controle. O menino passou a infância e a adolescência sofrendo uma média de 60 crises convulsivas por dia. “Teve um dia que ele chegou a ter 300 (crises convulsivas). As crises por si só já são horríveis, mas elas também deixam sequelas, impediram o desenvolvimento neurológico do Guilherme”, conta a mãe, a dona de casa Daniela de Oliveira Costa, de 39 anos.

Nenhum medicamento era capaz de controlar as crises. Em 2014, quando o menino estava com 15 anos, a família decidiu testar o canabidiol (CBD).

“Logo de cara, foram quatro meses sem nenhuma crise. Ele passou a ficar mais presente, mais acordado, demonstra o que quer”, conta a mãe.

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Hoje com 20 anos, Guilherme tem sequelas da doença, mas as crises convulsivas são raras, uma a cada três ou quatro meses, segundo a mãe.

Daniela conseguiu uma decisão judicial que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fornecer o produto. Mesmo assim, o processo é demorado e há períodos em que as remessas não chegam a tempo. Diante disso, Daniela comemorou a liberação do registro e comercialização do remédio no Brasil.

“Vai facilitar a compra tanto para a rede pública quanto para os pacientes. Quando o SUS demora a entregar e a gente fica sem, dependemos da boa vontade de outras famílias que usam o canabidiol e doam. Agora vai ser mais fácil comprar.”

A dona de casa diz esperar que os custos do produto também caiam.

“Se eu não conseguisse o remédio pelo SUS, gastaria mais de R$ 10 mil por mês com a importação da quantidade que o meu filho precisa”, destaca.

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