José Maria Tomazela/Estadão
José Maria Tomazela/Estadão

Família faz via-sacra por atendimento após saída de médicos cubanos em Sorocaba

Com saída de cubano de posto de saúde do bairro, mãe e filhos com febre tiveram de cruzar cidade

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2018 | 03h00

SOROCABA - A saída do médico cubano que atendia no Centro de Saúde do bairro Brigadeiro Tobias, em Sorocaba, levou a dona de casa Beatriz Cristina Medeiros, de 26 anos, a fazer uma via-sacra com a mãe e dois filhos pequenos em busca do atendimento nesta quarta-feira, 21. Com as crianças – uma delas portadora necessidades especiais – ardendo em febre, ela passou por duas unidades e teve de se deslocar até outra região da cidade atrás de ajuda. Às 18 horas desta quarta, a família ainda aguardava para ser atendida.

Segundo Beatriz, a família procurou o médico cubano no posto porque ele conhece o problema de Adrian, de 9 anos, que tem paralisia cerebral e fica permanentemente em cadeira de rodas. “Ele sempre ia vê-lo em casa, por isso nos acostumamos com o atendimento dele.”

“Como a febre de Adrian não estava alta, decidi esperar até hoje, mas aí minha bebê (Maria Alice, de 1 ano e 2 meses) também teve (febre)”, conta a dona de casa. De manhã, com a ajuda da mãe, Beatriz foi ao posto, mas a unidade estava fechada, por ser ponto facultativo.

“Disseram que abriria à tarde e retornamos depois do almoço. Foi só aí que soubemos que o médico cubano não atenderia mais. Foi um choque.” Segundo ela, uma enfermeira examinou as crianças e recomendou que fossem até a Unidade Pré-Hospitalar da Zona Leste, a nove quilômetros de distância.

Por ser longe, teve de esperar o marido sair do trabalho para levá-los até lá. “Estamos até agora (às 18 horas desta quarta) sem saber o que as crianças têm”, disse. “Muita gente no bairro sentirá falta dele (médico cubano).”

Rede afetada

A prefeitura de Sorocaba informou que os 18 médicos cubanos que estão deixando a rede básica serão substituídos. De acordo com o gestor técnico do Programa de Atenção Básica do município, Frederico Gizzi de Campos, a previsão é de que a rede de saúde permaneça até duas semanas sem atendimento completo. 

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