Família vende tudo para pagar tratamento de vítima de erro

Vítima de erro médico, menino fica em estado vegetativo; pais querem levá-lo para a China

Herton Escobar, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2009 | 22h06

Neide Bueno e Luiz Babolim estão vendendo tudo que podem para levar seu filho, Lucas, para a China, para receber uma injeção de células-tronco. Há pouco mais de um ano, o menino foi vítima de um erro médico que o deixou em estado neurovegetativo, com 60% do cérebro comprometido. Seu coração parou durante 15 minutos após a aplicação de uma anestesia geral, para tratar uma fratura na tíbia. Lucas, de 7 anos, ficou cego, perdeu a fala, os movimentos, e precisa ser alimentado por meio de uma sonda estomacal.

 

As células-tronco, diz Neide, são a única esperança de que seu filho um dia volte a tocar bateria e lutar judô. "A chance de reversão é de 80%", calcula a mãe. "Nossa esperança é de uma recuperação completa, mas o que queremos é ver ele fora da cama, falando e andando de novo."

 

O site da empresa que vende o serviço na China, chamada Beike Biotech, diz que já tratou mais de 5 mil pacientes e 80% ficaram satisfeitos com os resultados. Neide se inspira no relato de uma menina britânica que nasceu cega e voltou a enxergar depois do procedimento. "Com base em todos os testemunhos que vimos, alguma melhora meu filho vai ter."

 

O custo da viagem mais a cirurgia - uma injeção de células-tronco de cordão umbilical no líquido da medula espinhal - é de R$ 150 mil. Neide e Luiz, que vivem em Limeira (SP), organizaram uma campanha para levantar doações. Já arrecadaram R$ 39 mil. Vendem camisetas, organizam almoços beneficentes, leilões e, agora, vendem rifas para o sorteio de um Ford Ka que compraram por R$ 23.500, especificamente para isso. Neide está desempregada e seu marido, ex-caminhoneiro, faz bico como motoqueiro.

 

Mais esperança

 

O capixaba Felipe Ramos, de 25 anos, nunca tinha ouvido falar em células-tronco. Até que, em julho de 2007, sofreu um acidente de carro que o deixou paralisado da barriga para baixo. Agora, passa todas as manhãs na fisioterapia e as tardes no computador, pesquisando sobre as células que, acredita ele, poderão trazer de volta seus movimentos.

 

Ramos precisa de R$ 75 mil para ir até a China se tratar com o doutor Hongyun Huang. Já juntou R$ 30 mil e está vendendo seu apartamento, na Grande Vitória, para arrecadar outros R$ 20 mil. Pediu uma opinião ao cientista Stevens Rehen, da UFRJ, que aconselhou que ele não fosse à China. Mas resolveu ir mesmo assim.

 

"Tenho muita confiança e muita fé de que vai dar certo", aposta Ramos. "Quero viver melhor. Não posso ficar parado."

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