Marcio Fernandes/AE
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Famílias bancam 57,4% dos gastos públicos com saúde, diz IBGE

Segundo levantamento do instituto, setor cresceu 4,4% em 2007, menos do que o restante da economia do País

Fabiana Cimieri, da Agência Estado,

09 Dezembro 2009 | 10h42

Os gastos com saúde corresponderam a 8,4% do Produto Interno Bruto nacional em 2007, 0,2% a mais do que em 2005, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pela primeira vez a conta do setor. Deste total, 57,4% (R$ 128,9bi) foram pagos pelas famílias e 41,6% (R$ 93,4%) pelo setor público. As instituições sem fins lucrativos (asilos, clínicas e orfanatos)consumiram R$ 2,3 bi.

 

O padrão nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de, no mínimo, 70% de financiamento público, com

exceção dos Estados Unidos e México, onde é de 45%. 

 

O setor de saúde cresceu 4,4% em 2007, menos do que o restante da economia (5,8%)mas ainda assim registrou aumento significativo do número de postos de trabalho, geração de renda e no consumo das famílias. Em 2006 o crescimento foi de 4,3%, superior ao PIB (3,7%). No total, as atividades de saúde geraram uma renda de R$ 137, 9 bilhões em 2007, o que corresponde a 6% de todo o PIB nacional. Em 2005, o setor produziu R$ 101 bilhões, equivalendo a 5,5% do PIB daquele ano.

 

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No ano passado, o IBGE divulgou pela primeira vez um estudo sobre a economia da saúde, revelando números da produção e consumo de todas as atividades ligadas à saúde. Foi o embrião para a conta-satélite do setor, divulgada ontem pela primeira vez.

 

Dentre as atividades de saúde, o segmento que tem maior participação no mercado é a saúde pública, que corresponde a 34,8% do total. Esse porcentual inclui também a produção dos hospitais universitários e militares, que ficaram de fora do primeiro estudo. Em seguida, com 19,7%, vem outras atividades relacionadas à saúde e o comércio de produtos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e odontológicos (12,8%).

 

Apesar do setor ter crescido em 2007 menos do que o restante da economia, quase todas as atividades relacionadas à saúde tiveram crescimento em relação ao ano anterior. A maior variação foi nos serviços sociais privados, que cresceram 6,5%. No Brasil, as instituições privadas sem fins lucrativos ainda correspondem a apenas 1% do total produzido pela saúde, mas a tendência é que, com o desenvolvimento e o envelhecimento da população, essa participação aumente, como já acontece nos países europeus e nos Estados Unidos.

 

Em 2005 e 2007 as famílias consumiram o equivalente a 4,8% do PIB com saúde. Já os gastos da administração pública no setor aumentaram de 3,3% do PIB para 3,5%. Considerando todos os bens e serviços de saúde, a participação dos importados caiu de 4,9% em 2005 para 4,5% em 2007. As exportações mantiveram-se estáveis em 0,9%.

 

Entre 2005 e 2007 foram abertos 3,8 milhões de postos de trabalho em atividades relacionadas à saúde. O setor que mais puxou as novas contratações foi o de comércio de produtos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e odontológicos, seguido de outras atividades relacionadas à saúde e a saúde pública.

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