Famílias de servidores dos EUA em Serra Leoa devem deixar país

Contra Ebola, Departamento de Estado dos Estados Unidos ordenou a evacuação dos parentes de trabalhadores da embaixada 

Agências internacionais

14 de agosto de 2014 | 18h54

Atualizada às 21h51

Os Estados Unidos começaram a retirar as famílias de funcionários da embaixada de Serra Leoa nesta quinta-feira, 14, citando preocupação com a sobrecarga das instituições médicas com o surto do Ebola. A Organização Mundial de Saúde (OMS) também divulgou que o vírus já matou 1.069 pessoas e infectou outras 1.975 em Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa. A doença parece estar contida no território nigeriano, mas “nos outros lugares, o surto deve continuar por algum tempo”, alertou. 

O Departamento de Estado já havia retirado diplomatas da Libéria na semana passada. O presidente Barack Obama telefonou nesta quinta para os presidentes dos dois países e disse que os Estados Unidos estão comprometidos em trabalhar para conter o surto de Ebola e expressou condolências pelas mortes.

Ao mesmo tempo em que as autoridades americanas dizem que as medidas representam uma “abundância de precaução”, elas evidenciam a escalada da crise. A Guiné declarou emergência de saúde pública, a exemplo do que já foi feito por Serra Leoa e Libéria - atendendo solicitação da OMS, que considerou o surto uma emergência sanitária mundial. “Caminhões com suprimentos médicos estão a caminho de todas as localidades na fronteira”, disse o presidente da comissão de Ebola da Guiné, Aboubacar Sidiki Diakité. Até 3 mil pessoas esperam autorização de entrada em 17 pontos na tríplice fronteira. “Qualquer doente será isolado imediatamente. As pessoas serão acompanhadas. Não podemos correr o risco de deixar qualquer um entrar sem as devidas verificações”, disse.

Navios vindos de Guiné, Serra Leoa e Libéria também não têm mais permissão para entrar no porto de Abidjã, na Costa do Marfim. No Senegal, o medo da doença chegou ao ponto de um jornalista do diário La Tribune, de Dacar, ser condenado a 1 ano de prisão por informar cinco falsos casos de Ebola. A pena foi convertida em uma multa de cerca de R$ 5 mil.

Soro experimental. A Nigéria também já declarou emergência nacional. Até esta quinta-feira, havia 10 infecções comprovadas e 4 mortes. Na quarta-feira, o país se tornou o primeiro da África a receber doses do soro experimental ZMapp, depois do tratamento obter o “aval ético” da OMS. Nesta quinta, o missionário americano Kent Brantly, primeiro a receber o medicamento no mundo e atualmente internado em Atlanta (EUA), publicou mensagem no Facebook do grupo de evangelização Samaritan’s Purse em que afirma estar “muito bem”. Ele ainda espera obter alta “muito em breve”. 

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