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Michael Dantas/AFP
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Famílias recorrem a doações e vaquinha para acompanhar pacientes transferidos do AM

Por falta de oxigênio em hospitais, doentes foram realocados para vários Estados; parentes tentam garantir insumos por conta própria

Thaise Rocha, Especial para o Estadão

17 de janeiro de 2021 | 05h00

Com 80% do pulmão comprometido e após oito dias internado, Osimar Carvalho, de 54 anos, percorreu de avião mais de 1,7 mil quilômetros. A falta de estoque de oxigênio, que levou hospitais de Manaus ao colapso esta semana, fez com que ele fosse levado ao Maranhão em busca de segurança no atendimento médico. A estimativa do Amazonas é de que até 700 pacientes sejam transferidos. Para evitar a distância nessa hora difícil, as famílias se desdobram para acompanhar os doentes nessa viagem.

“Estou vivendo os piores dias da minha vida. Estou há um mês sem ver meu pai direito, ele está bem debilitado”, conta Kamilla Caió, filha de Carvalho. “Acho melhor ele ir pra outro Estado porque sei que vai acabar de novo (o oxigênio) e não quero mais passar pelo desespero que passei na quinta”, diz a nutricionista, de 27 anos. 

Além do Maranhão, sete Estados e o Distrito Federal receberam pacientes na sexta. O Estado cogitou até transferir 61 bebês prematuros em maternidades públicas, mas conseguiu renovar o estoque e evitar o deslocamento, com riscos. 

Nas transferências, a família não pode acompanhar o doente no transporte aéreo e um tio doou a passagem para garantir que Kamilla fique junto do pai no Maranhão. A jovem, que tinha uma reserva guardada, já gastou cerca de R$ 2 mil com máscaras e ventilação não invasiva. Os produtos mantiveram Carvalho vivo quando o oxigênio na unidade acabou.

“Ele foi ao banheiro na hora da falta de oxigênio e, no desespero, alguém roubou a máscara dele que era de balão. Acho que pensando que ia respirar melhor com aquela, mas respirar o quê? Não tinha oxigênio. Por sorte, comprei três e doei duas a pessoas em situação precária”, relata Kamilla. 

Após a chegada de Carvalho ao Maranhão, eles já se falaram por videochamada. “Minha filha, estou bem. Já estava entregando minha vida pra Deus porque eu sabia que ia morrer ali”, disse ele à Kamilla. 

Agora, ela busca ajuda para conseguir se manter e custear as despesas enquanto Carvalho faz o tratamento. “Toda ajuda é bem-vinda, não penso em mim, sou nova e me viro. Penso nele. Só tenho um sentimento de gratidão por todo suporte que tenho recebido”, diz.

'Se ele continuasse no hospital, iria ficar em uma maca no corredor'

Yahsmin Morais também vive momentos de aflição à espera de notícias sobre o tio, Cosme Moraes, de 49 anos. Ele foi transferido na madrugada do dia 13 para um hospital em Brasília. Moraes fez o teste na anterior e testou positivo para o coronavírus. O quadro era estável até o chegar o fim de semana, quando sentiu falta de ar e buscou atendimento em um hospital privado. Por falta de leitos, embarcaram ele com urgência para conseguir interná-lo.

“Foram bem claros: Se ele continuasse no hospital, iria ficar em uma maca no corredor. Não tinha leito. A gente fica nessa aflição né? De esperar todo dia, às 17 horas, pela atualização do boletim. É quando dão notícia do paciente”, afirma Yahsmim. A família fez vaquinha para ajudar na hospedagem do primo, que está acompanhando Cosme. “Meus avós estão muito desestabilizados.” 

Segundo a Secretaria de Saúde do Amazonas, no 1º pico da pandemia, de março e maio de 2020, o consumo máximo era de 30 mil m³ de oxigênio diários. Hoje é de 76 mil m³. As fornecedoras estão com dificuldades em produzir o volume e a logística para que o insumo venha de fora tem sido um dos entraves para abastecer a capital e o interior. “Já foram requisitadas 10 usinas que serão instaladas em algumas unidades”, disse o governador Wilson Lima (PSC) nas redes sociais.

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