Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Farmacêutica britânica Astrazeneca muda data de entrega de vacina para Brasil para janeiro

Mudança acontece por questão de logística; governo brasileiro terá uma nova rodada de negociações com a empresa

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2020 | 12h17

BRASÍLIA -  Encabeçado pelo Número 2 do Ministério da Saúde, o secretário-executivo Élcio Franco, o contrato de entrega de vacinas contra a covid-19 no Brasil pela Astrazeneca foi mudado na última hora antes da assinatura, e contou com a intermediação do governo do Reino Unido. Inicialmente, a previsão era de que as 100,4 milhões de doses previstas para o País começassem a chegar ainda no fim deste ano ao Brasil, mas, temendo não cumprir prazos, a farmacêutica britânica estendeu até janeiro seu compromisso de entrega do primeiro lote, segundo uma fonte a par das negociações.

Depois de muita curiosidade, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou ontem os termos do contrato, após ter encaminhado o documento na segunda-feira à Câmara dos Deputados. Pelo documento apresentado, a Fundação terá total acesso à tecnologia ao final do contrato, o que dará à Fiocruz autonomia para produzir a vacina sem estar mais vinculada à Astrazeneca. A farmacêutica desenvolve suas pesquisas em parceria com a Universidade de Oxford. A fonte explicou, porém, que uma nova negociação sobre como se dará essa transferência de conhecimento será necessária para que haja acertos dos detalhes.

Depois do fechamento do contrato de setembro, as partes definiram que as tratativas serão retomadas em até 90 dias, o que corresponde a meados de dezembro. O governo brasileiro queria, no entanto, já garantir a independência da produção domesticamente. “Não é assim que funciona. A transferência vai acontecer, mas essa conversa foi adiada para dezembro”, explicou a fonte. A expectativa é a de que no último mês do ano a própria Astrazeneca tenha mais detalhes sobre o andamento de sua produção e logística.

Com acordos firmados com vários governos do mundo, a confecção das doses pela companhia já começou mesmo antes da certificação de que a vacina será eficiente. É por causa dos contratos com os países que a empresa vem tendo condições de iniciar sua produção, que será vendida, inicialmente, a preço de custo. Até o momento, os resultados da pesquisa vêm sendo apontados como “promissores”.

As pesquisas da Astrazeneca estão na fase 3 dos estudos clínicos e recentemente foi informado que a resposta da vacina a idosos foi positiva, colocando-as como uma das mais promissoras em todo o mundo. Apesar de ser necessária uma nova fase de discussões, ficou claro para os dois lados de que a transferência tecnológica ocorrerá de maneira completa.

O acordo prevê que a farmacêutica entregue lotes de 15 milhões de vacinas para o Brasil por mês e, assim, possa finalizar a encomenda completa em julho de 2021. De acordo com o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, o compromisso garante a inexistência de obtenção de margem de lucro para a AstraZeneca ou para a Fiocruz até meados do ano que vem. Ele também destacou que o preço de US$ 3,16 por dose é considerado um dos mais baratos levando em conta outras negociações em curso no mundo.

Segundo a Fiocruz, a Fundação terá capacidade de produzir mais 110 milhões de doses por conta própria ao longo do segundo semestre do ano que vem, mas a fonte acredita que isso apenas será possível a partir do final de 2021. As conversas entre o Ministério e a AstraZeneca tiveram início em maio, quando uma aproximação também foi feita com técnicos do Ministério da Economia e do Itamaraty.


 

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