Yves Herman / Reuters
Yves Herman / Reuters

Farmacêuticas concorrentes lançam teste conjunto de remédios contra covid-19

Abbvie, Amgen e Takeda testam se medicamentos de cada uma delas podem ser reaproveitados no tratamento de infectados com o novo coronavírus

Deena Beasley, Reuters

03 de agosto de 2020 | 15h00

Concorrentes de mercado, as farmacêuticas AbbVie, Amgen e Takeda anunciaram nesta segunda-feira, 3, o início de teste em pacientes para checar se medicamentos existentes de cada uma delas podem ser reaproveitados no tratamento de pessoas com covid-19.

A pandemia do novo coronavírus é um “momento de todas as mãos na massa”, disse o pesquisador e diretor de desenvolvimento da Amgen, David Reese. "Queríamos que um teste pudesse peneirar rapidamente vários agentes”, afirmou.

O estudo é uma colaboração de membros da indústria farmacêutica da recém-formada Aliança de Pesquisa e Desenvolvimento da Covid, da Quantum Leap Healthcare Collaborative - uma parceria de cientistas da área médica e investidores - e da Food and Drug Administration (FDA), a agência de vigilância sanitária americana.

A princípio, serão testados o remédio para psoríase Otezla, da Amgen, o anti-inflamatório Firazyr, da Takeda, e o cenicriviroc da AbbVie, um medicamento usado em pacientes com HIV para ajudar com respostas exageradas do sistema imunológico - reação que pode também ocorrer em doentes com a forma grave de covid-19. 

A co-fundadora da Quantum Leap, Laura Esserman, explica que o estudo permite que vários tratamentos sejam testados simultaneamente, com os mais promissores seguindo para as próximas etapas e os menos promissores sendo abandonados. “Podemos ter alguns resultados já em seis semanas”, afirma, acrescentando que outros medicamentos serão adicionados em breve à lista.

Funcionários das empresas explicaram que o Otezla pode suprimir inflamações ocasionadas por uma resposta imune exacerbada. O Firazyr pode ajudar a limitar o líquido nos pulmões e o cenicriviroc bloqueia a atividade de algumas células do sistema imunológico, o que pode reduzir a gravidade do desconforto respiratório agudo causado pelo coronavírus.

Os remédios estão sendo administrados em combinação com o antiviral remdesivir, da farmacêutica Gilead, e do corticoide dexametasona. Segundo Laura, ambos têm ação comprovada em testes rigorosos sobre pacientes de covid-19 e são considerados o tratamento convencional para a doença. Um grupo controle de pacientes receberá apenas a dexametasona e o remdesivir.

Testes de medicamentos contra coronavírus em andamento

Hospitais testaram outras drogas anti-inflamatórias em pessoas com o novo coronavírus, incluindo o Kevzara, da Regeneron, e o Actemra, da Roche. Os dois remédios para artrite não tiveram eficácia comprovada. A farmacêutica Roche continua a testar o Actemra em combinação com o remdesivir.

O Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos está estudando o remdesivir em combinação com o Olumiant, um medicamento para artrite vendido pela empresa Eli Lilly. Os resultados saem em setembro.

Desde o início da pandemia que já causou 680 mil mortes, há sete meses, centenas de testes clínicos - realizados em seres humanos - foram lançados em todo mundo, para checar se medicamentos existentes ou experimentais poderiam ser tratamentos eficientes. 

"Há um grande número de ensaios que, para cheios das melhores intenções, foram iniciados em todo o mundo. Mas muitos desses são pequenos e não fornecerão respostas definitivas”, apontou Reese, da Amgen.  

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