Fase inicial de pesquisa sobre o Big Bang pode ser estendida

Novos dados sobre as origens do universo estão sendo lançados com tanta rapidez que os físicos talvez estendam a fase inicial atual do projeto "Big Bang" até o fim de 2012, afirmaram os diretores do centro de pesquisas Cern.

ROBERT EVANS, REUTERS

03 Dezembro 2010 | 15h43

A extensão, a ser decidida no final de janeiro, poderá levar a uma descoberta precoce sobre o mistorioso bóson de Higgs, que se acredita tenha transformado a massa amorfa de partículas em matéria sólida no nascimento do cosmos.

"Há uma grande janela para novas descobertas se abrindo e queremos garantir que a oportunidade desses últimos meses seja mantida," disse o diretor-geral do Cern, Rolf Heuer, supervisor dos experimentos no Grande Colisor de Hádrons (LHC).

"Este ano confirmamos tudo o que pensávamos que sabíamos sobre o universo físico e agora estamos nos movendo para um território novo," acrescentou o diretor de pesquisas do centro, Sergio Bertolucci. "Estamos nos voltando para os desconhecidos sabidos e também para coisas sobre as quais talvez nem tenhamos pensado."

Heuer e Bertolucci falaram enquanto os engenheiros do Cern começavam a desligar o LHC e seu enorme detector de magnetos --que fazem as partículas colidirem à velocidade da luz e formam o maior projeto científico do mundo. A máquina gigante e subterrânea ficará desligada até fevereiro para ajustes finos durante o inverno.

Os especialistas do Cern relataram na quinta-feira a um auditório lotado de pesquisadores --jovens, em sua maioria-- a recriação de um "plasma quark-glúon" que se acredita ter sido a totalidade do cosmos uma fração de segundo depois do Big Bang, há 13,7 bilhões de anos.

Pela primeira vez, a atividade das duas partículas elementares dentro do plasma foi rastreada e um fenômeno chamado "atenuação de jatos," observado, dando pistas sobre como a matéria se transformou nas estrelas, nos planetas e, por fim, na vida na Terra.

Os resultados foram obtidos após apenas alguns dias de colisão de íons no LHC a energias ultra-elevadas produzindo temperaturas por vezes 500 mil vezes mais altas do que o núcleo do sol.

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