Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

Fase vermelha em SP gera críticas dos setores de comércio e serviços

Apesar dos posicionamentos contrários à decisão, as associações entendem a necessidade de adotar ações para tentar frear a disseminação do vírus 

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2020 | 18h57

A decisão de regredir todo o Estado de São Paulo para a fase vermelha do plano de combate à covid-19 repercutiu nos setores de comércio e serviços, que chegaram a cobrar uma fiscalização mais rígida do governo. E aproveitaram para fazer um apelo para que a população colabore durante as comemorações de fim de ano. Apesar dos posicionamentos contrários às medidas, as associações entendem a necessidade de adotar ações para tentar frear a disseminação do vírus durante o Natal e ano-novo.

"Os restaurantes que programaram algo para o fim de ano perderam muito. A maioria já deve ter feito estoque e esperava faturar", diz Percival Maricato, presidente do conselho estadual da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP). Segundo ele, a medida só deixa de ter impacto para aqueles que já estão fechados por não poder arcar com tantas restrições.

O vereador Rodrigo Goulart (PSD), que também faz parte da equipe da Abrasel, ressalta o agravamento da crise financeira. "Não concordo com as medidas em um momento como esse. Estão fechando os comércios em um período de festas, 13ª salário... Infelizmente as medidas vão servir apenas para os que estão regularizados, para quem está fácil de ser fiscalizado", reclama.

"Nós sabemos onde estão as fontes de maiores contaminações e são os locais que estão à margem da lei. Durante os finais de semana recebemos diversas denúncias de festas clandestinas, por exemplo. Esses são locais com aglomerações. Não é um bar, restaurante, uma loja de roupa ou o comércio em geral", explica Goulart. "O governo teria de fazer restrições, mas fiscalizar no geral e não apenas onde é fácil fazer a fiscalização, não apenas ir atrás dos comércios que estão regularizados e já cumprindo os protocolos de saúde. O governo peca nessa questão de fiscalização e acaba sendo obrigado a endurecer as regras", finaliza.

Na fase vermelha, bares e restaurantes só poderão funcionar como delivery. Estão liberados apenas serviços essenciais como supermercados, farmácias, clínicas médicas e bancos. Em nota, Alfredo Cotait Neto, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), lamenta a situação e pede para a população evitar aglomerações.

"As novas restrições ao funcionamento do varejo vão aumentar as dificuldades do setor. Faço um apelo para que a população colabore, evitando aglomerações nas comemorações das festas de fim de ano, em benefício das famílias e de toda população. Espero também que novas restrições não sejam necessárias e que o comércio possa voltar a funcionar normalmente no menor prazo possível, pois os custos das medidas restritivas foram bastante significativos para as empresas, especialmente as menores", diz.

Em contato com a reportagem, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) também diz entender que os eventos clandestinos e toda a informalidade estão ligados diretamente ao aumento no número de casos da doença.

"Toda informalidade é deletéria porque você não controla. Ela já é desleal com os empresários formalmente estabelecidos no Brasil e consideramos que com a pandemia essa situação fica ainda pior", diz a federação, reiterando que lamenta mais uma medida restritiva em São Paulo. "Esperamos que isso sirva para reduzir de fato a disseminação do vírus, mas lembramos que o comércio estava aberto 12 horas por dia na fase amarela e isso não ocasionou no aumento de casos. A federação acredita que esses casos vieram crescendo por um comportamento individual mais frouxo. As pessoa não estão cumprindo os protocolos e o comércio não pode ser responsabilizado por isso."

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