FDA envia cartas de advertência para cinco companhias de cigarro eletrônico

Agência diz que empresas violam lei federal, têm reivindicações infundadas e práticas deficientes

AP

10 Setembro 2010 | 21h59

RICHMOND - A agência de vigilância sanitária americana Food and Drug Administration (FDA) vai alertar fabricantes de cigarro eletrônico sobre suas vendas e práticas que violam a lei federal dos Estados Unidos.

Na última quinta-feira, a FDA enviou cartas de advertência para cinco empresas que fazem e-cigarros ou componentes para os dispositivos de plástico e metal do produto, que aquecem uma solução líquida de nicotina em um cartucho descartável, criando um vapor que o "fumante" inala.

Nas cartas, a agência disse que as empresas estão violando o Federal Food, Drug and Cosmetic Act, além de apresentarem reivindicações infundadas e práticas de fabricação deficientes.

Uma das companhias, a E-Cig Technology Inc., baseada em Las Vegas, tem inclusive vendido fórmulas líquidas contra disfunção erétil e perda de peso que podem ser usadas nos cigarros eletrônicos. A FDA solicita às empresas um prazo de 15 dias úteis para que se manifestem sobre como pretendem corrigir essas violações.

As outras empresas que recebem cartas de advertência são: LLC e-CigaretteDirect, do Colorado; Ruyan America Inc., de Minneapolis; Gamucci América, da Flórida; e Johnson Creek Enterprises LLC, de Wisconsin.

Em um comunicado à Associação de Cigarro Eletrônico, a FDA disse que as ações contra as empresas não são feitas para ser vistas como um esforço de proibição dos e-cigarros. A agência incentivou a indústria a trabalhar em conjunto para garantir a segurança e a eficácia dos dispositivos que pretendem ajudar as pessoas a parar de fumar cigarros tradicionais.

Michael Levy, do Centro para Avaliação e Pesquisa de Drogas da FDA, diz que há vários métodos para parar de fumar aprovados pela agência à venda no mercado. A FDA também trabalha em parceria com produtores para aprovar um método de distribuição de medicamentos. "Esse é mais um esforço por parte da FDA para controlar os cidadãos americanos e tirar a liberdade de escolha deles", afirma Keith King, gerente de vendas da empresa E-CigaretteDirect.

Representantes da Associação de Cigarro Eletrônico e das demais empresas não comentaram o assunto até o momento.

Os cigarros com bateria eletrônica se tornaram o centro de uma batalha sobre o risco que representam em comparação aos produtos tradicionais e, se forem, como devem ser regulamentados.

A FDA e grupos de saúde pública iniciaram o alarme, afirmando que os e-cigarros contêm produtos químicos perigosos e estão sendo comercializados para crianças. Por isso, a agência decidiu suspender o transporte de e-cigarros nos portos dos Estados Unidos.

Comercializados no mundo pela primeira vez em 2002, os cigarros eletrônicos são vistos como uma alternativa para os produtos tradicionais, mas não se tornaram facilmente disponíveis no território americano até o fim de 2006.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.