FDA questiona segurança de pílula contra obesidade

Se aprovado, comprimido Qnexa será vendido com receita médica nos Estados Unidos

Reuters

14 Julho 2010 | 16h34

WASHINGTON - Uma pílula contra a obesidade produzida pela empresa farmacêutica Vivus ajuda as pessoas a perder peso, segundo agentes reguladores de saúde dos Estados Unidos.

A agência FDA (Food and Drug Administration), porém, ainda está preocupada com o nível de segurança do comprimido. Nesta quinta-feira, 15, peritos da FDA vão discutir a segurança da droga e comunicar sua recomendação. A Vivus prevê que a agência tomará a decisão final de aprovação antes de 28 de outubro.

A empresa de biotecnologia quer comercializar a pílula diária Qnexa, que seria usada em combinação com dieta e exercícios físicos. Se for aprovada, será a primeira droga para emagrecer a ser vendida, em uma década, com receita médica nos Estados Unidos.

A chegada de um potencial medicamento contra a obesidade em uma nação onde mais de dois terços dos habitantes têm excesso de peso movimentou as ações da Vivus antes da decisão da FDA.

Três doses da droga "foram eficazes na perda de peso", disseram reguladores da FDA, mas há cinco áreas de preocupação sobre a segurança, incluindo seus efeitos em mulheres grávidas e as consequências psiquiátricas, como depressão.

Houve também relatos de mais problemas de atenção, memória e linguagem, além do aumento da frequência cardíaca em pacientes que tomam Qnexa, segundo documentos publicados no site da FDA.

Outra preocupação foi a possibilidade de um aumento na quantidade de ácidos no organismo.

No entanto, analistas do banco de investimentos americano JPMorgan consideraram que essa questão não foi surpreendente. Também não se mostraram preocupados com o ligeiro aumento de problemas cardíacos, tendo em vista as "melhorias significativas" em outras medições cardiovasculares, como a pressão arterial.

A ação da FDA e de seus assessores poderia ainda ser um sinal para o destino das empresas Arena Pharmaceuticals e Orexigen Therapeutics, que também estão buscando a aprovação de medicamentos contra a obesidade.

Os remédios para emagrecer vendidos com receita médica atualmente incluem o Meridia, do laboratório Abbott, que tem advertências sobre hipertensão e riscos de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral em alguns pacientes.

Por sua vez, o medicamento Xenical, da Roche Holding AG, pode causar sérios problemas no fígado, movimentos intestinais incontrolados e gases.

A habilidade da Vivus para conseguir a aprovação também é uma prova para a empresa e para seu presidente executivo, Leland Wilson.

Se receber uma decisão positiva, a Qnexa será a segunda droga americana da empresa, que já vende um medicamento para disfunção erétil chamado Muse e está trabalhando em outro conhecido genericamente como avanafil.

A Vivus também está estudando outros produtos potenciais para diabetes e apneia do sono.

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