L.C.LEITE/ESTADÃO
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Febre amarela causou morte de pelo menos 3 macacos em Caraguatatuba

A confirmação veio do Instituto Adolfo Lutz, que analisou animais encontrados mortos no Parque da Serra do Mar; Secretaria de Saúde recomenda que só pessoas vacinadas visitem local e que o resto do Estado se vacine porque há risco de novos surtos

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 19h04

SÃO PAULO - O Instituto Adolfo Lutz confirmou na semana passada que três macacos bugios encontrados mortos no Parque Estadual da Serra do Mar em Caraguatatuba foram mesmo vítima de febre amarela. Outros seis animais seguem em análise. As informações foram passadas pela prefeitura da cidade, que ainda recomenda o fechamento do parque.

A proposta já havia sido rejeitada no dia 16 pelo governo do Estado, que mantém o parque aberto com a orientação de que o visitante se vacine dez dias anos de frequentar o local. A Secretaria de Estado da Saúde informou que segue também as estratégias adotadas desde aquela data, de intensificação da vacinação.

De acordo com Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da secretaria, a continuidade da circulação do vírus no inverno, depois do surto do verão, já era esperada. “São Paulo passou a ser considerado região endêmica para a febre amarela desde o ano passado e a epidemia não vem e vai embora. Achamos que a febre amarela veio para ficar, por isso insistimos na necessidade de todas as pessoas estarem protegidas contra a doença.”

Antes de Caraguatatuba, diz ele, já tinham sido encontrados macacos mortos em Ubatuba e no Vale do Ribeira em meio ao inverno.

Boulos descartou a necessidade de fechar o parque por causa da alta cobertura vacinal da população de Caraguatatuba, que está em torno de 85%. 

“É diferente do que ocorreu em São Paulo no final do ano. Quando o vírus chegou ao Horto, não tínhamos população protegida. Devia ser só 5% da população. Então fechamos para vacinar dentro e fora. Mas na Serra do Mar não tem nem como fechar o parque inteiro. O que é necessário é avisar nos parques que todos que chegarem lá têm de estar vacinados porque correm risco concreto, se forem para a mata, para cachoeiras, de se infectarem”, explica.

Risco futuro

Sobre o risco de haver um novo surto no verão, quando aumenta a circulação de mosquitos, Boulos disse que há uma “chance real”. Ele lembra que a cobertura vacinal da Grande São Paulo, apesar de todas as campanhas, é de apenas 40%.

“Então a chance de voltar a ter infecções humanas importantes é real. É um fato concreto: o vírus continua circulando e temos pessoas suscetíveis. Pode até não ser tão grave quanto no começo do ano, mas não me surpreendo se tivermos um número significativo de casos de novo no verão.”

De acordo com a pasta, em 2018 houve 502 casos autóctones de febre amarela silvestre confirmados no Estado, com 178 mortes. A maior parte das infecções – 30,2% – ocorreu em Mairiporã e 9,5% em Atibaia. Outros 14 casos ocorreram no Litoral Norte, com 5 mortes – 2 em São Sebastião e 3 em Ubatuba.

Também já foram confirmadas as mortes de 250 macacos pela doença. A região com maior concentração é a Grande São Paulo, com 52% dos casos. No Litoral Norte foram registradas 14 mortes. Os casos recentes de Caraguatatuba ainda não foram contabilizados.

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