Febre amarela volta a matar no RS depois de 42 anos

Preocupada, a Secretaria da Saúde colocou mais 13 municípios na zona de risco para a transmissão

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

07 de janeiro de 2009 | 20h29

A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul confirmou nesta quarta-feira, 7, a primeira morte por febre amarela no Estado desde 1966. A vítima é uma dona de casa de 31 anos, de Santo Ângelo, na região das Missões. Outra ocorrência, registrada na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre está sob suspeita. Material enviado ao Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, deve confirmar se o óbito também foi provocado pela doença.   Preocupada com a situação, a Secretaria da Saúde colocou mais 13 municípios na zona de risco para a transmissão da febre amarela, somando-os aos 87 que já estavam na relação desde o início de dezembro. Todas as cidades são das regiões oeste e central do Estado, entre as quais algumas de médio porte como Santo Ângelo, Ijuí, Santa Rosa e Cruz Alta.   A população de todos esses municípios, estimada em 500 mil pessoas, está sendo vacinada em massa pela Secretaria da Saúde. Quem vai para as áreas de risco também deve buscar a imunização, ainda antes de viajar, com pelo menos dez dias de antecedência.   "Ao contrário da dengue, há vacina para evitar a doença", destaca o secretário da Saúde, Osmar Terra, com a advertência que a febre amarela é ainda mais poderosa e pode matar 50% dos infectados.   O vírus da febre amarela circula entre macacos e é transmitido pelos mosquitos dos gêneros haemagogus e sabethes, que vivem dentro das matas e não migram para as cidades. Os sintomas mais comuns da doença são dores, febre, calafrios, mal-estar generalizado e sangramentos decorrentes de inflamação do fígado, alteração da coagulação e insuficiência renal.   Um dos principais indicativos de que o vírus da febre amarela chegou ao oeste do Rio Grande do Sul é a morte recente de 311 macacos em diversas localidades. Os agentes sanitários costumam monitorar a população dos animais nas matas ciliares do Estado. Quando há mortes que suscitam a suspeita da doença, são feitos exames laboratoriais. A última vez em que a febre amarela havia sido detectada na região foi em 2001, quando não chegou a infectar humanos.   Segundo Terra, a ausência do mosquito evita a transmissão da doença nas cidades. O homem pode se infectar quando entra nas matas sem estar vacinado e é picado pelo mosquito. Foi o que ocorreu com a dona de casa de Santo Ângelo, que passou por áreas rurais de Eugênio de Castro, município vizinho, apresentou sintomas no dia 18 e morreu no dia 25 de dezembro. E é o que pode ter acontecido com um morador de Nova Santa Rita, na região metropolitana de Porto Alegre, que viajou para Pirapó, cidade do noroeste onde macacos haviam aparecido mortos, e, ao regressar, começou a sentir os sintomas que o levaram à morte na noite de terça-feira, 6.

Tudo o que sabemos sobre:
saúdefebre amarela

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.