Federação de médicos e estudantes apoiam ocupação de faculdades contra o 'Mais Médicos'

A ideia é impedir que haja adesão dessas instituições de ensino ao programa

Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2013 | 20h23

BRASÍLIA - A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e lideranças estudantis da área anunciaram nesta sexta-feira uma série de ações que serão executadas para protestar contra a Medida Provisória 621/2013, que institui o programa "Mais Médicos". A Fenam e os estudantes decidiram apoiar a ocupação de reitorias de faculdades de medicina no País, entre outros pontos.

"Estamos respaldando os estudantes na decisão de ocupação de reitorias, em exigência a que as universidades não façam adesão ao Mais Médicos", disse o presidente da Fenam, Geraldo Ferreira Filho. A ideia é que não haja a adesão, por parte dessas instituições, ao programa.

Todos disseram não aceitar que professores brasileiros sejam tutores de médicos estrangeiros sem o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida). "Não aceitamos nenhum um ponto da MP. Todos eles são inconstitucionais e afrontam a legislação brasileira e, no nosso entender, não têm condições de ser implantados", afirmou Ferreira Filho.

Ele fez duras críticas ao programa e disse que a entidade tentará barrar a medida na Justiça. A Fenam já entrou com uma Ação Civil Pública na Justiça Federal pela anulação dos efeitos da MP. Entre os itens previstos na MP do programa Mais Médicos está a ampliação do curso de medicina em mais dois anos e a chamada de profissionais estrangeiros para atuar no interior do País e em periferias de grandes cidades.

A Federação e os alunos também se posicionaram contra o exame Revalida Aluno. Para Constance Ottoni, estudante do sexto ano na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, trata-se de uma "retaliação" do governo contra as críticas de entidades médicas à dispensa da revalidação do diploma para os médicos estrangeiros que cheguem ao Brasil. Fenam e estudantes também decidiram acompanhar as paralisações e manifestações de médicos agendadas para os dias 30 e 31 de julho. Por último, os estudantes de medicina vão fazer uma paralisação, nos dias 8, 9 e 10 de agosto, dia em que está convocada uma marcha de alunos de medicina a Brasília para pressionar o Congresso a rejeitar a matéria.

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