Ferramentas de pedra 'mudam a história migratória'

Novas descobertas podem adiantar data da migração humana da África para Ásia em milhares de anos

BBC

20 Setembro 2010 | 12h23

Uma equipe de investigação relatou novas descobertas de instrumentos da Idade da Pedra que sugerem que os seres humanos "saíram da África" por terra mais cedo do que se imaginava.

 

Os geneticistas estimam que a migração da África para o Sudeste Asiático e Austrália ocorreu cerca de 60 mil anos atrás.

 

Mas o Dr. Michael Petraglia, da Universidade de Oxford, e colegas dizem que os artefatos de pedra encontrados na Península Arábica e Índia apontam para um êxodo de partida de cerca de 70.000 a 80.000 anos atrás - e talvez ainda mais cedo.

 

Petraglia e seus colegas, que incluem pesquisadores australianos e indianos, apresentaram as suas ideias no Festival Britânico de Ciência, que acontece neste ano na Universidade de Aston.

 

"Eu acredito que várias populações saíram da África no período compreendido entre 120.000 e 70.000 anos atrás", disse ele. "Nossas provas são instrumentos de pedra que podemos datar."

 

A maioria das ferramentas são de centenas de quilômetros das costas. Isto significa que era mais provável que os seres humanos migraram pela terra que em barcos, disse ele.

 

As ferramentas são encontradas em áreas que são frequentemente muito inóspitas atualmente, mas que na época teriam sido muito mais favoráveis à migração.

 

"Durante o período sobre o qual estamos falando, os ambientes eram na verdade muito hospitaleiros", disse ele à BBC News. "Então, onde há hoje desertos, costumava haver lagos e rios, e havia uma abundância de plantas e animais."

 

A equipe encontrou as ferramentas de pedra - que vão desde dois a quase 10 centímetros de tamanho - em camadas de sedimentos que podem ser datados usando areia e material vulcânico encontrados acima e abaixo dos implementos. As ferramentas foram usadas como cabeças de lança ou raspadores.

 

Em particular, algumas ferramentas foram imprensadas nas cinzas da famosa erupção de Toba, que os geólogos podem datar a exatamente 74 mil anos atrás.

 

Outras espécies dos primeiros seres humanos deixaram a África claramente antes de nossa espécie (Homo sapiens), mas a equipe do Dr. Petraglia pensa que os instrumentos que tem encontrado são do tipo feito por seres humanos modernos - e não pelo homem de Neandertal, por exemplo.

 

Pesquisas anteriores já haviam se inclinado para a análise genética de diferentes populações modernas para descobrir há quanto tempo eles compartilhavam um ancestral comum - seu ancestral comum africano.

 

O professor Chris Stringer, do Museu de História Natural, em Londres, disse que esses dados genéticos mostraram que seres humanos deixaram a África cerca de 60.000 anos atrás ou até mais recentemente.

 

Ele concordou que "estas ferramentas mostram que as pessoas estavam nessas regiões, mas os dados genéticos mostram uma saída da África do prazo máximo de 60 mil anos atrás. As pessoas na Índia poderiam ter morrido."

 

Dr. Petraglia, no entanto, sugeriu que pesquisar essas migrações usando a genética da população pode não levar a resultados precisos, porque todos os estudos genéticos foram baseados em pessoas de hoje.

 

A ausência de DNA antigo para fazer exames complementares tornou esta área de investigação muito menos confiável, afirmou.

 

A equipe do Dr. Petraglia agora espera continuar as escavações na região. "Nós temos centenas de projetos na Europa e um punhado no cinturão árabe-sul asiático", disse ele.

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