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Fezes pandas aceleram produção de biocombustíveis, afirma estudo

Bactérias que ajudam na assimilação de bambu por esses animais ameaçados poderiam ser solução para produção de energia mais eficiente

Efe

30 Agosto 2011 | 10h31

WASHINGTON - As fezes dos ursos pandas contêm bactérias que poderiam acelerar o processo de obtenção de biocombustíveis e evitar assim recorrer ao emprego de cultivos alimentícios como milho e soja, anunciou nesta segunda-feira um estudo científico da Universidade do Mississippi.

 

"Quem imaginaria que as fezes dos ursos pandas poderiam ajudar a solucionar um dos principais obstáculos para produzir biocombustíveis, que é a otimização da decomposição dos materiais das plantas utilizadas no processo?", questionou Ashli Brown, codiretor do estudo e professor de bioquímica.

 

A pesquisa científica foi apresentada durante o Encontro Anual da Sociedade de Química dos EUA sediado em Denver, Colorado.

 

De acordo a Brown, algumas das bactérias dos ursos pandas são especialmente potentes para decompor lignocelulose, um dos materiais mais resistentes durante a produção dos biocombustíveis.

 

Durante anos era bem conhecido na comunidade científica que os pandas possuem sistemas digestivos poderosos para assimilar os entre 9 e 18 quilos de bambu que comem ao dia e que conformam 99% de sua dieta.

 

No entanto, os cientistas não tinham tentando analisar as bactérias empregadas pelo sistema gastrointestinal dos pandas, e que segundo o estudo é similar ao encontrado nos cupins, conhecidos por sua capacidade para digerir madeira.

 

Brown e sua equipe passaram um ano estudando os excrementos de um casal de pandas do zoológico de Memphis, e identificaram que sob determinadas circunstâncias estas bactérias estomacais podem transformar 95% da biomassa da planta em açúcares simples.

 

Tais bactérias contêm enzimas capazes de eliminar a necessidade de altas temperaturas, ácidos fortes e altas pressões empregadas atualmente para a produção de biocombustíveis, o que poderia facilitar processos mais rápidos, mais limpos e menos custosos de geração destes combustíveis.

 

"Este descobrimento nos ensina uma lição sobre a importância da biodiversidade. Os animais e as plantas são uma fonte primordial de remédios e outros produtos. Se os perdemos através da extinção, perderíamos também perder as potenciais fontes destes produtos", indicou Brown. Segundo o estudo, apenas 2,5 mil ursos pandas vivem em seu habitat original e menos de 200 vivem em cativeiro.

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